Caminho para reformas está aberto, avaliam membros da base; oposição vê governo mais fraco

 

Antonio Augusto/Agência Câmara

Vitória construída por governo no plenário é, para a oposição, sinal de fraqueza para a pauta das reformas

 

Já na avaliação de opositores, o governo está enfraquecido. Para eles, o placar final demonstra que a próxima denúncia e a pauta legislativa de Michel Temer devem se mostrar disputas ainda mais acirradas — com chance de virada para a oposição. Por outro lado, a vitória conquistada pelo governo, segundo os deputados da base, comprovam o poder político do presidente e dá fôlego às reformas, sobretudo a da Previdência.

A deputada Maria do Rosário (PT-RS) é das mais otimistas. "Esse governo acabou. Estou olhando para a Mesa e vejo um sorriso em Maia de quem poderá ser presidente", afirma. Para ela, o peso do desgaste do governo vai ser crescente para os deputados. "Já entramos em um momento pré-eleitoral. Os deputados vão começar a fazer cálculo eleitoral: morrer abraçado com Temer ou dialogar com o eleitorado. Acho que ninguém gosta de abraçar afogado", avalia a parlamentar. Isso quer dizer, para ela, que existe uma derrota política evidente. "É a derrota da reforma da Previdência."

Tal desgaste fica evidente, no entendimento do deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), pela contagem de votos necessários para aprovação de propostas de emenda à Constituição. "O governo sai abalado sem o quórum constitucional. Não vai ter os 308 votos necessários para a aprovação das reformas. Acho que o cenário mais possível é tentar avançar em mudanças políticas. A tributária não vai avançar. Isso considerando essa pequena calmaria que vai ter quem sabe até a semana que vem quando vier a segunda denúncia do Janot", prevê o deputado.

Assim como Chico Alencar, a deputada Janete Capiberibe (PSB-AP) também entende que o governo Temer vem se arrastando. "O governo perde força. O resultado da votação de hoje é que os partidos de esquerda e os votos isolados que se uniram a nós vão se reforçar. Até por uma questão muito prática, que é a proximidade das eleições de 2018. Isso vai sensibilizar mais deputados que vão pensar no futuro político e na cobrança que vai vir", enfatiza. Para ela, com votações impopulares como a chamada PEC da Morte, a terceirização, a reforma trabalhista e a anistia à dívida dos ruralistas, a população se vê perdendo muito, dificultando o andamento de outras pautas semelhantes nesse cenário.

É dessa forma que a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) acredita que a virada acontecerá: com a pressão popular. "Vamos ter que estimular pressão de fora para dentro pesada. Os parlamentares estão sugando o que podem enquanto esse governo resiste, mas a imagem é cada vez pior", diz. Jandira também entende que sair desta votação sem quórum constitucional é um bom sinal para a oposição.

"Foi um custo altíssimo para o país para que ele impedisse a acusação", retoma o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), citando as benesses distribuídas pelo governo. Temer vai ter de trabalhar para impedir as próximas denúncias. "Eles não têm votos mais para aprovar PECs. A pauta legislativa fica muito diminuída, vai ser o feijão com arroz. Politicamente é uma derrota. O país sabe que ele cometeu um crime", completa.

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