Bate-boca marca primeira sessão da CDH com Feliciano

Plenário da comissão estava cheio de evangélicos e manifestantes ligados à área de direitos humanos. Deputados do PT se retiraram da sessão. Líder do Psol pediu renúncia do presidente

Gritos, manifestações, palavras de ordem, dúvidas sobre quorum e troca de acusações marcaram a primeira sessão da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDH) da Câmara, nesta quarta-feira (13), presidida pelo deputado Pastor Marco Feliciano (PSC). Apesar das confusões, deputados ainda conseguiram aprovar três requerimentos para audiências públicas e discussões sobre projetos. Ontem (12), o PSC decidiu mante-lo no cargo.

Logo no início, Feliciano pediu desculpas por palavras que tenha dito em qualquer momento e colocou seu gabinete e a presidência da comissão à disposição da sociedade. A trégua durou pouco. Manifestantes contrários ao novo presidente da CDH foram proibidos de apitar, mostrar cartazes e gritar ofensas. No entanto, durante vários momentos foi ouvida a frase "ô, a ditadura voltou". Também cantaram um trecho de "Ilariê", música da apresentadora Xuxa. Na semana passada, ela criticou a escolha de Feliciano para presidir a CDH. Ele prometeu processá-la.

Ao presidir a sessão, Feliciano tentava demonstrar calma. Disse em diversos momentos que "não vai ceder a pressão" quando as palavras de ordem contra ele aumentavam. Nos momentos mais tensos, deputados chegaram a sugerir suspender a sessão. "Vossa excelência está sendo discriminado, sendo perseguido por companheiro que desrespeitam a sua presidência", disse o deputado Stefano Aguiar (PSC-MG).

Feliciano não aceitou a sugestão, respondendo que é "isso que eles querem", fazendo referência aos manifestantes e aos deputados contrários à sua eleição. Também ponderou que, caso a sessão fosse suspensa, a possibilidade de ser retomada seria pequena. "Todos têm o direito de falar, não direito a balbúrdia", afirmou o presidente da CDH. Na condução da sessão, ele concedia a palavra para deputados da bancada evangélica, mas resistia a dar espaço aos do PT.

Chegou a bater boca com a vice-líder do PT, Érika Kokay (DF). A petista, quando pedia a palavra, chamava Feliciano de pastor, não usando a palavra presidente como é praxe entre os deputados. Feliciano acusou o golpe e disse que não deixaria Érika falar porque não o chamou de presidente. "Vossa excelência se sente ofendido de ser chamado de pastor?", retrucou Érika.

Em outro momento, o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) começou a provocar Erika Kokay. O próprio Feliciano pediu para que o deptuado fluminense não se manifestasse e "parasse com isso". No entanto, o pepista continuou com provocações. O clima na sessão esquentou. Domingos Dutra (PT-MA) chegou a pular uma das mesas para brigar com o colega do Rio. Foi segurado por Érika e Nilmário Miranda (PT-MG).

"Se o Papa tem resistências, vossa excelência também vai ter. E eu também", disse Bolsonaro, informando aos colegas da CDH que o novo comandante da Igreja Católica foi escolhido. Depois, provocou os deputados ligados a direitos humanos. "Ela [a comissão] fechada agora será muito mais importante do que aberta no passado", afirmou.

Renúncia

Após momentos de discussões mais acalaradas, deputados do PT decidiram sair do plenário. Nilmário Miranda, o primeiro presidente da CDH, disse não reconhecer Feliciano como presidente da CDH. "O senhor pode ter legalidade, mas não tem legitimidade para estar sentado nesta cadeira. Se o senhor um dia quiser [ter legitimidade], precisa respeitar um dia a tradição desta comissão", afirmou.

Com ele, saíram de plenário Érika, Padre Ton (PT-RO) e Domingos Dutra. Na sequência, antes de sair também, o líder do Psol na Câmara, Ivan Valente (SP), pediu que Feliciano renunciasse. "Vossa excelência está atrapalhando. Não vamos poder tocar uma comissão como essa desse jeito. É melhor para um bom andamento dos trabalhos da Casa. É melhor que vossa excelência abandone a presidência da comissão", disse.

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