Após protestos, FHC desiste de participar de seminário nos EUA

Em carta a organizadores, Fernando Henrique Cardoso alega que não quer dar “pretexto para mentes radicais, dirigidas por paixões partidárias” usarem o seu nome em “luta imaginária” contra "um golpe que nunca existiu"

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso cancelou sua participação em uma palestra neste sábado em Nova York sobre a democracia na América Latina. A desistência ocorreu após protestos de intelectuais e ativistas brasileiros que acusam o PSDB, partido do ex-presidente, de promover um “golpe” contra a presidente afastada Dilma Rousseff. FHC dividiria um painel com o ex-presidente chileno Ricardo Lagos nas comemorações dos 50 anos do evento promovido pela Associação de Estudos Latino-Americanos (LASA).

O anúncio da ausência do ex-presidente foi comemorado por parte de um grupo de brasileiros, que, vestidos de preto, entoaram o grito “golpistas, fascistas, não passarão”.

Em carta à LASA, publicada pelo Globo, FHC alega que não quer dar “pretexto para mentes radicais, dirigidas por paixões partidárias” usarem o seu nome em “luta imaginária”. “Eu peço que vocês entendam que a essa altura da minha vida, aos 85 anos, eu não desejo dar pretexto para mentes radicais, dirigidas por paixões partidárias, me usarem em uma luta imaginária ‘contra o golpe’, um golpe que nunca existiu”, escreveu o ex-presidente.

No fim de abril, um grupo de intelectuais brasileiros e estrangeiros enviou uma carta à entidade em que considerava inapropriada a participação de FHC, cujo partido é apontado por eles como “um dos colaboradores de um “golpe” no Brasil. A petição tem apoio 196 intelectuais ligados a universidades brasileiras e estrangeiras.

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