Aécio diminui críticas a Dilma, que surfa “onda vermelha”

Na esteira de pacto de não agressão entre as campanhas, programa tucano manteve a inserção de uma espécie de reportagem mostrando obra do governo inacabada. Dilma, líder nas pesquisas, aposta no clima de festa da "onda vermelha"

Líder em todas as principais pesquisas eleitorais desta semana, a candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) parece ter adotado o clima de festa como mote da reta final de seu horário político na TV. A propaganda de Aécio Neves (PSDB) também se vale do otimismo e do lema de “mudança” para tentar diminuir a vantagem em relação à petista. Mas, mesmo depois do pacto de não agressão homologado ontem (quarta, 22), o programa tucano manteve a inserção de uma espécie de reportagem mostrando as mazelas do que seria uma grande obra do governo inacabada.

A cena se passa, segundo os tucanos, no trecho das obras de transposição do Rio São Francisco no município de Cabrobó (PE). A equipe de reportagem passa então a mostrar entrevistas com populares que demonstram indignação com a gestão Dilma, com imagens do sertão se alternando com os depoimentos – em uma delas aparecem os restos mortais de um bovino. Antes da reportagem, Dilma aparece no último debate na TV Record, domingo (19), dizendo que “a integração do São Francisco está em pleno vapor”.

Uma entrevistadora tucana diz então que as obras tiveram sobrepreço de “quase” R$ 4 bilhões e se “arrastam por sete anos”. “Este é um canal de irrigação do Rio São Francisco. Aqui onde estou deveria estar coberto pelas águas vindas do rio”, diz, em registro de imagens que teriam sido feitos “na semana passada” em Cabrobó. “A promessa aqui era para 2013 estar tudo pronto, né? 2013 já passou, 2014 já está passando... A promessa é para 2016, mas não acredito que saia, não”, diz um entrevistado com sotaque nordestino.

Reportagem do jornal O Globo desta quinta-feira (23) informa que as duas campanhas firmaram no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acordo em que desistem de todas as ações ajuizadas contra o consideram agressões mútuas. Os comandos petista e tucano se comprometeram também a abandonar esses ataques em inserções de rádio e TV. Ainda havia 16 dessas ações na pauta de julgamentos da corte. Decisões já tomadas continuam a valer, mas novos ataques podem voltar a ser contestados.

Confira a cena, a partir dos oito minutos e 45 segundos do vídeo:


“Onda vermelha”

Na esteira das pesquisas, os petistas veiculam diversas imagens de ruas tomadas pela militância petista, em clima de festa. No entanto, a ordem é enfatizar a figura de uma Dilma vitoriosa, sem menções ao PT – tanto a estrela vermelha, logotipo do partido, quando as bandeiras em movimento não fazem menção ao PT por escrito. A mensagem mais enfatizada é o “Dilma 13”, número de urna do PT.

“Há muito uma campanha não resgatava o que a política tem de melhor”, discursa o locutor, antes da entrada em cena de uma presidenta sorridente. Em trajes brancos, Dilma aparece exaltando os avanços sociais que diz ter feito em seu governo. Para ela, algo que não será interrompido “nem pessimismo nem falsas promessas”. “O Brasil mudou para você crescer. É assim que vai continuar sendo”, diz.

O programa petista passa a veicular imagens festivas com artistas e grupos como o “Dream Team do Passinho”, formado por dançarinos cariocas, e a banda pernambucana Cordel do Fogo Encantado. Uma série de artistas aparece em seguida entoando a mesma canção em aparições segmentadas.

São veiculadas cenas da campanha em Recife e em São Paulo, em que a cantora Negra Li e o rapper Emicida declaram apoio a Dilma. Em comício, Lula volta a defender a sucessora: “Há muito tempo a gente não via tanto jovem envolvido em uma campanha”, diz o ex-presidente, mencionando indiretamente os tucanos. “Há seis meses atrás eles tentaram insinuar que a juventude não gosta de política.” O programa é encerrado com Dilma e sua trupe no Teatro Tuca, na PUC de São Paulo, onde a presidenta interage, aos pulos, com a multidão.

Veritá

A reação de Aécio aos números Ibope e Datafolha vem com a menção à pesquisa Veritá divulgada no início da semana. Contratado pela Ediminas S.A., que publica o jornal mineiro Hoje em Dia, o levantamento mostra Aécio com 53,2% dos votos válidos, contra 46,8% de Dilma.

Ainda reforçando a “rede de apoios” que inclui Renata Campos, viúva de Eduardo Campos, e a ex-candidata Marina Silva, Aécio faz uma convocação ao eleitor. “O início do segundo turno foi muito importante para nosso projeto de mudança. Você, que ainda não tomou sua decisão, eu peço que venha com a gente. Você vai se orgulhar muito com um governo decente e eficiente”, exorta o candidato.

A campanha tem apostado, nas últimas propagandas, em três ícones da dramaturgia brasileira, Lima Duarte, Rosamaria Murtinho e Milton Gonçalves, além dos ex-atletas Romário, Zico e Oscar, do basquete, intercalando depoimentos de famosos e anônimos. Já Marina Silva, que foi alvejada por críticas do PT no primeiro turno, diz que “a vitória na eleição não deve ser um prêmio para quem ataca mais”. “Os brasileiros sonharam com uma grande mudança. Vou votar no Aécio para começar um novo debate político”, diz a ex-ministra do Meio Ambiente, defendendo campanhas com base em propostas.

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