Advogados rejeitam mensalão e admitem caixa 2

Defesas de Pedro Correa e de Pedro Henry negam a existência de um esquema de compra de votos da base aliada. Dizem que dinheiro foi para pagar defesa do ex-deputado Ronivon Santiago

Advogados de integrantes do PP acusados de participar do mensalão rejeitaram nesta quinta-feira (9) a existência de um esquema de compra de votos da base aliada nos primeiros anos do governo Lula. Em sustentações orais no Supremo Tribunal Federal (STF), as defesas do ex-deputado Pedro Corrêa (PP-PR) e do deputado Pedro Henry (PP-MT) admitiram o uso de caixa 2 e o recebimento, em 2003, de R$ 700 mil do PT.

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Pedro Correa, na época, era o presidente nacional do PP. Já Henry era o líder da bancada. Eles são acusados de crimes de formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Com eles, também foi denunciado o ex-deputado José Janene (PP-PR), que morreu em setembro de 2010. Corrêa, um dos três deputados cassados pela Câmara no auge da crise do mensalão, é acusado de ter angariado para o PP R$ 3 milhões do esquema, distribuídos por meio da corretora Bônus-Banval.

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De acordo com o advogado Marcelo Leal, responsável pela defesa de Corrêa, as pessoas ouvidas durante a investigação afirmaram que o ex-presidente nacional do PP não conhecia ninguém na Bônus-Banval. A corretora, disse o defensor, foi indicada pelo PT para a retirada de dinheiro. Na época, foram R$ 700 mil usados em campanhas de candidatos nas eleições municipais de 2004. A maior parte do valor, informou, foi usada por candidatos no norte do Paraná, região política de Janene.

Leal rejeita também que o valor total usado tenha sido de R$ 3 milhões. Ele disse que uma outra parte dos R$ 700 mil foi usada para contratar o advogado Paulo Goyaz, que trabalhou na defesa do ex-deputado Ronivon Santiago (PP-AC), na época ameaçado de cassação na Câmara. "Não há relação entre os eventuais repasses com os resultados das votações", disse, completando que a taxa de apoio dentro da bancada do PP se manteve estável nas principais votações.

Já o deputado federal pelo PP de Mato Grosso é acusado de ter participado das negociações que, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), renderam ao partido R$ 3 milhões. "Não houve qualquer compra de votos. As reformas só foram aprovadas porque a oposição votou com o governo. Esta foi a conduta dos parlamentares do PP", afirmou José Antônio Duarte Alvares, defensor de Henry. Ele citou que a posição do partido se manteve entre os governos Fernando Henrique Cardoso e Lula em temas como a reforma da Previdência e a reforma tributária.

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