Eleição em Campos (RJ) tem candidatura impugnada e disputa entre famílias

A menos de duas semanas das eleições municipais, Campos dos Goytacazes (RJ), vive um imbróglio na disputa pela prefeitura. Na semana passada, o TRE-RJ impugnou a candidatura de Frederico Paes (MDB), vice na chapa de Wladimir Garotinho (PSD-RJ).

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O impedimento atende ao pedido do candidato Bruno Calil (Solidariedade), da coligação "Nova Força" (DEM, PTC e PV), ao alegar que Frederico Paes permaneceu como diretor do Hospital Plantadores de Cana (HPC) e do Sindicato dos Hospitais, Clínicas, Casas de Saúde e Estabelecimentos de Saúde da Região Norte Fluminense (SindihNorte) fora do prazo exigido pela legislação eleitoral para desincompatibilização.

Pelas redes sociais, Wladimir Garotinho afirmou que seu registro de candidatura está deferido e que vai reverter a decisão sobre o vice no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília.

Números recentes da Paraná Pesquisas mostram empate técnico entre Wladimir Garotinho (28,1%) e Caio Vianna (PDT) (23,5%). Por ter mais de 500 mil habitantes, a disputa em Campos dos Goytacazes deve ir para o segundo turno e o quadro pode mudar até o próximo dia 15, devido não só à decisão de impugnação do TRE-RJ, mas também pelos próprios indicadores eleitorais.

A pesquisa tem margem de erro de 3,5 pontos percentuais para mais ou para menos, o que indica um cenário incerto e acirrado. Os números dão conta de que Bruno Calil (Solidariedade) tem 7,2%, seguido por Rafael Diniz (Cidadania) - atual prefeito - com 6,6%.

Professora Natália (Psol) tem 3,4%; Odisseia (PT) tem 3,0%; Tadeu Tô Contigo (Republicanos), aparece com 2,9% e Roberto Henriques (PCdoB) marca 1,1% das intenções. Outros nomes citados tiveram 2,5%. Não souberam ou não responderam, 6,8%. E 16,1% disseram não votar em nenhum dos candidatos.

A disputa entre Wladimir e Caio é também uma queda de braço entre as tradicionais famílias Garotinho e Vianna, conhecidas do eleitorado local. De um lado, Wladimir tenta salvar o legado político da família. Sua irmã, Clarissa Garotinho (Pros-RJ) concorre à prefeitura na capital, mas não chegou a pontuar na última pesquisa Ibope. Seus pais Anthony Garotinho e Rosinha Matheus, já comandaram a cidade e também o estado. Nas eleições de 2002, Anthony foi o terceiro colocado na disputa pela presidência da República.

De outro lado, Caio Vianna, filho do ex-vereador, ex-prefeito de Campos e ex-deputado federal Arnaldo Vianna (PDT) também busca preservar o ambiente político do pai. Vianna foi vice de Garotinho na prefeitura, mas romperam a aliança política em 2002.

Royalties do petróleo

Campos dos Goytacazes é a maior produtora de petróleo do Brasil e já figurou entre os municípios mais beneficiados com a arrecadação de royalties. No próximo dia 3 de dezembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) pode decidir como fica a divisão entre estados produtores e não produtores de petróleo.

O governador capixaba, Renato Casagrande (PSB-ES), tenta costurar um acordo com as demais unidades federativas para que o caso não precise ser julgado. Casagrande e o governador em exercício do Rio de Janeiro, Claudio Castro (PSC-RJ), pediram ao presidente do STF, Luiz Fux, que a discussão sobre a divisão vá para a Câmara de Conciliação da corte.

A incerteza com relação ao tema atinge a plataforma política dos candidatos à prefeitura. A campanha de Caio Vianna afirma que é necessário trazer "dinheiro novo" à região. A proposta é montar planos especiais de negócios e transformar a cidade em polo logístico. Segundo fonte ouvida pelo Congresso em Foco, o candidato não trabalha com a lógica de que haverá royalties e participações especiais.

O site também tentou contato com Wladimir Garotinho, mas ainda não obteve retorno. O deputado é presidente da Frente Parlamentar em Defesa dos Municípios Produtores de Petróleo e busca junto ao Supremo uma saída para a questão da divisão dos lucros.

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