Calado, Cachoeira frustra integrantes da CPMI

Durante aproximadamente duas horas, bicheiro não respondeu as perguntas de deputados e senadores da comissão. Sessão foi encerrada sem votação de requerimentos

A expectativa para o depoimento do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carinhos Cachoeira, já era baixa entre os integrantes da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira. No entanto, ao passar quase duas horas, na tarde desta terça-feira (22), sem responder às perguntas feitas pelos parlamentares, o contraventor deixou um sentimento de frustração entre deputados e senadores.

 

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O depoimento de Cachoeira foi confirmado na noite de ontem (21), após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello negar pedido da defesa para adiar em mais três semanas a oitiva. Na decisão, o ministro ressaltou que houve tempo para os advogados consultarem os documentos em poder da comissão, mas que isso não aconteceu. Ele, no entanto, lembrou do direito constitucional de Cachoeira em ficar calado e não produzir prova contra si mesmo.

Foi o que fez a defesa de Cachoeira hoje à tarde. Responsável pela defesa do bicheiro, o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos informou aos parlamentares que ele só poderia vir a responder às perguntas da CPMI concluído o processo contra ele na 11ª  Vara da Justiça Federal em Goiânia. Seu depoimento na Justiça está previsto para os dias 31 de maio e 1º de junho.

"Foi um espetáculo grotesco, apresentado ao país por uma marginal que deixou o presídio da Papuda e, como um ator boquirroto[sic], mantém-se em silêncio", criticou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), usando de forma incorreta o termo “boquirroto”, que quer dizer alguém que fala demais e não consegue guardar segredos. Para ele, a CPMI deveria ter solicitado que Cachoeira fizesse juramento de depoente. Desta maneira, na visão do tucano, ele estaria obrigado a responder às perguntas dos membros da comissão.

Treinamento da defesa

Dentro da comissão, ficou a impressão de que, ao fazerem as perguntas e não receberem respostas, a defesa foi beneficiada no processo, uma vez que acabou desta forma conhecendo possíveis linhas de investigação. Na sessão, o que ocorreu, avaliam, é que ocorreu uma espécie de treinamento para Cachoeira. “Foi entregue de mão beijada ao advogado Márcio Thomaz Bastos toda a estratégia de perguntas e investigação da CPI”, disse o deputado Fernando Francischini (PSDB-PR), que é delegado licenciado da Polícia Federal.

Apesar das lamentações externadas por integrantes da oposição, governistas contemporizaram o resultado da oitiva. O relator da CPMI, deputado Odair Cunha (PT-MG), disse que não esperava que Cachoeira fosse falar alguma coisa "porque não se pode esperar que um chefe de quadrilha venha aqui se incriminar". "Não fiz as perguntas que estava disposto a fazer para não dar munição a ele", afirmou.

Ele disse que o foco agora da CPMI é identificar quem são as pessoas que foram corrompidas por Cachoeira. "Queremos saber quem foram os corrompidos por Cachoeira. Nosso foco agora é saber quem são os parlamentares, governadores, todo mundo que foi corrompido. Quero deixar claro também que as investigações da CPI não se limitam a convocações e depoimentos. Nós vamos investigar de outras formas também", disse.

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