Moro é a grande solução de Bolsonaro, diz Major Olimpio

O líder do PSL no Senado, Major Olimpio, declara-se um “Bolsomorista”, em razão de seu entusiasmo com o presidente Jair Bolsonaro e o ministro Sergio Moro. Ele acredita que há interesse, por quem quer enfraquecer o combate à corrupção, de tentar afastar um do outro. Coisa que não ocorrerá, segundo o senador, porque os dois querem o bem do país.

Olimpio considera-se um dos mais fiéis aliados do governo Bolsonaro. Votou a favor de todos os projetos e medidas enviadas ao Congresso pelo governo. Outro tema muito defendido pelo Major é a instalação da CPI da Lava Toga. Mas isso não significa, ele alerta, que vá se submeter à vontade dos filhos do presidente, por mais que saiba da imensa proximidade que há entre eles. O líder do PSL já criticou os três publicamente e recomendou que eles parassem de "encher o saco" do governo.

O senador concedeu entrevista exclusiva para a nova edição da Revista Congresso em Foco, que já disponível para compra (compre aqui).

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Estamos com mais de dez meses do governo Bolsonaro. Como o senhor avalia esses primeiros meses? O que houve principalmente de positivo e de negativo?

O ponto positivo é que o presidente Bolsonaro vem cumprindo exatamente os compromissos da sua campanha. O enxugamento da máquina pública. As questões, por exemplo, que são mais do que fundamentais, como a nova Previdência. Uma pauta que é dura, é difícil, que não é simpática.  Tivemos a medida provisória da liberdade econômica, que destrava o país em muitos setores. Alterações no decreto do Estatuto do Desarmamento. Está fazendo o que é possível. Porque, com a nova dinâmica de não ter toma-lá-dá-cá, não ter ministério de porteira fechada, a cada dia nós temos uma dor diferente.

Era possível ter um entendimento melhor sem toma-lá-dá-cá? 

Todos nós estamos nos adaptando. O presidente, seus 22 ministros, já entraram dentro de uma nova dinâmica. O Congresso tem a sua dificuldade de adaptação. Muitos resistem e ficam na expectativa: “Quando é que nós vamos declarar que o sistema assim não funciona e vamos voltar para o antigo modelo?”. É uma situação em que cada episódio do seriado você tem uma luta nova, com uma diferença: no seriado, sempre os mocinhos vencem no final; aqui, não necessariamente.

Sobre a CPI da Lava Toga, se argumenta que a CPI atrapalharia o andamento das demais pautas do governo... 

Houve uma depuração nos demais poderes. No Executivo, no Legislativo. Com a Lava Jato. Deputados e senadores cassados. Alguns na cadeia. Governador na cadeia. Ex-presidente na cadeia. Agora, se não mexer na cúpula do Judiciário, o resultado de tudo isso, do enfrentamento da corrupção, pode morrer. E vai ficar aquele sentimento: aqui é o país da impunidade. Não vai paralisar governo. Não significa ruptura com os poderes. Isso é conversa mole, para boi dormir. Então, eu não vejo essa ruptura. Isso beira mais a um acordaço: você não mexe comigo, eu não mexo com vocês. Isso é horrível para o país.

E quanto a esses eventuais atritos que se noticia envolvendo o presidente e o ministro Sergio Moro?

Há muita tentativa de se intrigar o presidente com o Sergio Moro. O Sergio Moro está numa missão de querer ajudar o Brasil. E você há de observar: o que conduziu o Bolsonaro à Presidência da República, não foi porcaria nenhuma de Previdência, reforma tributária, venda de estatais, coisa nenhuma. A pauta que encantou o povo brasileiro foi combate à corrupção e redução da criminalidade. Essas duas pautas o Bolsonaro pôs nos ombros do Moro.  O Moro não é um problema para Bolsonaro. Ele é, possivelmente, a maior solução para o Bolsonaro hoje.

Mas não está patinando justamente essa pauta que encantou o povo, do combate à corrupção?

O tempo para essas coisas é o tempo de maturação no Legislativo. O governo tem que priorizar. As pessoas estão morrendo de fome, desempregadas, sem saúde. Então, tem que se fazer o ajuste previdenciário. Tem que priorizar a pauta da economia. Com relação ao pacote anticrime, justamente pelo ministro Sergio Moro ser essa figura tão forte para o mundo todo, é que realmente se cria mais antagonismo político. Se é o pacote do Moro, vamos retaliar.

Mudando de ministério: o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, tem sido alvo de muitas críticas. Como o senhor vê a gestão ambiental do governo Bolsonaro?

Em primeiro lugar, o Brasil é o país que mais preserva a sua área territorial. Eu vejo agora essa história das queimadas, fica parecendo que as queimadas apareceram depois da assunção do Bolsonaro à Presidência. O que aconteceu com o Ricardo Salles é que houve um perfil ao longo de muitos anos de que quem estava com a pasta do Meio Ambiente ser ligado de uma forma até radical à estrutura de meio ambiente. E ele veio falando em desenvolvimento sustentável. Isso acaba chocando. E, aí, o bombardeio vem. Cria antagonismos. Até numa semelhança da própria conduta do presidente. O presidente muitas vezes você diz que a manifestação dele não foi politicamente muito correta. Aí você vê que ele estava querendo dar recado. É o jeito dele. É o estilo Bolsonaro. Qualquer cara do marketing político diria: “Isso não vai dar certo”. Com ele, dá certo. Ganhou a eleição assim...

Mas será que o discurso que ganhou a eleição é o mesmo que cabe no governo? Agora, ele é uma alta autoridade pública. Tudo ganha repercussão muito maior...

É sempre uma adaptação. Mas pelo pouco que eu conheço do Bolsonaro, ele vai assim até o fim do governo. O estilo dele de ser é esse. Perde o amigo mas não perde a piada. Isso é dele.

Mas as crises internacionais que acabaram vindo em consequência disso são prejudiciais? Não gera um desconforto internacional? 

Gera, e gerou. Mas eu avalio que foi intencional. O presidente queria dar um recado: respeitem a nossa soberania. E o recado foi dado. Se foi a melhor forma de dar o recado, eu entendo que não. Não foi da forma mais amistosa, mas o recado chegou.

Mas, pelo menos conforme apontam as pesquisas de opinião, tal comportamento estaria refletindo negativamente na popularidade do presidente... 

O poder desgasta naturalmente. Agora, se eu fosse acreditar 100% em pesquisa, eu não estaria aqui.  Mas, apesar disso, as mesmas pesquisas apontam que, num cenário de segundo turno hoje, o Bolsonaro seria reeleito presidente. O público dele, o tal núcleo duro de seguidores dele, permanece inalterado. Notadamente, ele ainda é a maior força política do país.

Qual a principal vitória que o senhor conquistou no Senado? Do que o senhor já se orgulha?

Eu tenho um compromisso com as pessoas. Alguém poderia me dizer: “Por que você está metido nessa confusão de Lava Toga?”. Você vê o amargor das pessoas. Chega numa padaria. Não diz quem você é, não. Fica só tomando café e prestando atenção nas conversas. Quando começam as primeiras imagens de televisão, se aparece um ministro do Supremo, o cara já fala: “Esse vende o voto. Esse aqui soltou não sei quem”. Então, você está lá no Senado. Você sabatina ministro do Supremo. Você sabatina procurador-geral da República. Então, se você sabatina também tem que fiscalizar.

Finalmente, eu gostaria de saber um projeto pessoal do senhor. Não um projeto do governo... 

Redução da maioridade penal. Vim aqui para isso.

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