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Novos políticos e movimentos suprapartidários: há esperança para 2018?

“Precisamos agir politicamente, apoiando candidatos que tenham compromisso claro com a renovação. Talvez seja essa nossa única chance de higienizarmos o sistema ainda 2018”

No fim da minha última coluna, sobre os jovens deputados, ressaltei alguns motivos que me faziam estar otimista com a renovação política em 2018. Passada a onda de delações da Odebrecht no mês de abril, inicio o mês de maio dando maior destaque a um destes motivos, que pode dar esperanças a você, leitor e eleitor: o crescimento de movimentos suprapartidários que promovem conexões em rede entre os novos aspirantes políticos.

Boa parte destes grupos foi criada recentemente, estão se espalhando pelo Brasil e surge com a proposta de revigorar o sistema político brasileiro, com práticas éticas, transparentes e que não ofendam o interesse público. Ou seja, a ideia é capacitar cidadãos a agir politicamente com práticas mais limpas e honestas.

Segundo o colunista Igor Gielow, da Folha de S.Paulo, aspectos característicos destes grupos são que eles geralmente possuem no máximo 100 membros, contam com apoio empresarial e pouco, ou nenhum, suporte partidário. O posterior ingresso na política partidária, evento obrigatório na vida de um postulante a qualquer cargo político, é decisão pessoal de cada membro. Entretanto, por óbvio, existe o incentivo a participação em partidos que não estejam implicados em inquéritos na Operação Lava Jato ou semelhantes – entre as grandes siglas, poucas escapam, infelizmente.

Ao todo, esta coluna considera que existem cinco iniciativas relevantes inseridas nesse contexto. São elas: Rede de Ação Política pela Sustentabilidade (Raps), Brasil 21, Movimento Acredito, Bancada Ativista e Agora!.

A Raps atua promovendo capacitação e aperfeiçoamento àqueles que pretendem ingressar na carreira política. Age também auxiliando na construção de empreendimentos cívicos cujos objetivos sejam fomentar novas lideranças políticas e fortalecer as instituições republicanas – como é o caso do Brasil 21. Este projeto define-se como movimento político, social e cultural com propósito de transformar o país por meio da renovação política, centrada na participação ativa dos cidadãos por meio da construção de uma plataforma comum de governança que seja justa, sustentável e progressista.

EBC

“Precisamos canalizar essa onda de revolta e indignação em prol do fortalecimento de projetos de renovação política suprapartidários”

No caso do Movimento Acredito e da Bancada Ativista, visam dar apoio e visibilidade à candidatura de novos políticos que possuem valores éticos e sentimento de dever cívico. Por último, o movimento Agora!, citado em uma reportagem da Folha de S.Paulo, ainda não possui site institucional ou página oficial no Facebook. Contudo, sabe-se que sua linha de ação está direcionada às garantias de autonomia da liberdade individual e da iniciativa privada diante da atuação do Estado.

Recentemente, pesquisa publicada pela Fundação Perseu Abramo dominou as manchetes políticas. A Fundação, vinculada ao Partido dos Trabalhadores (PT), fez levantamento sobre as percepções político-sociais da periferia de São Paulo. Uma das justificativas para a pesquisa era entender o que havia mudado no posicionamento político dos moradores da periferia para que votassem majoritariamente em João Dória (PSDB) na última eleição municipal.

Os resultados atestam que existe, entre os eleitores da periferia, maior assimilação de valores liberais voltados para o individualismo e a competividade de mercado. Concomitantemente, os eleitores da periferia têm deixado de acreditar no Estado, sobretudo sua classe política, como propulsor do desenvolvimento socioeconômico para compreendê-lo como inibidor do desenvolvimento nacional, incapaz de entregar serviços e bens públicos condizentes com os impostos pagos pela sociedade.

Para além das discussões sobre qual partido/candidato pode vir a se beneficiar nas eleições de 2018, é válido ressaltar que a desconfiança dos cidadãos para com a classe política, como visto na pesquisa supracitada e em ações pró-Operação Lava Jato espalhadas pelo país, tem garantido maior destaque à luta dos cidadãos de todas as classes contra a classe política vigente, que hoje domina o aparelho do Estado e é responsável por torná-lo menos eficiente, transparente e competitivo.

Precisamos canalizar essa onda de revolta e indignação em prol do fortalecimento de projetos de renovação política suprapartidários. Precisamos agir politicamente, apoiando candidatos que tenham compromisso claro com a renovação. Talvez seja essa nossa única chance de higienizarmos o sistema ainda 2018.

Nota adicional:

Já pensou em simular a atuação dos deputados dentro da Câmara, em plenário ou comissões? O Projeto Politeia estará com inscrições abertas a partir do dia 07/05, às 18h. As atividades ocorrerão entre os dias 14 a 21 de julho. Participe!

Para mais informações: http://www.projetopoliteia.com/

 

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Sobre o autor

Vinícius Sousa

Vinícius Sousa

Especialista em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília, é o coordenador do coletivo Café com Política

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