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A indignação sai às ruas na Espanha

O dia 15 de março de 2011 ficará marcado na história da Espanha. No domingo passado, um pequeno grupo de cidadãos espanhóis resolveu protestar contra tudo e contra todos, contra a situação política e econômica, a corrupção e os políticos …

O dia 15 de março de 2011 ficará marcado na história da Espanha. No domingo passado, um pequeno grupo de cidadãos espanhóis resolveu protestar contra tudo e contra todos, contra a situação política e econômica, a corrupção e os políticos em geral. Eles ocuparam “la Puerta del Sol” de Madrid e passaram a noite acampados na praça da capital espanhola. Na segunda-feira foram desalojados pela polícia. Voltaram na terça e ainda estão lá até hoje. Mesmo com a proibição da Justiça, prometem fincar pé e permanecer na praça até este domingo, dia das eleições municipais na Espanha.

A classe política espanhola prestou pouca atenção ao protesto, imaginava que era coisa de um grupinho e que a indignação não prosperaria. Se enganou, e muito.

O movimento “Democracia Real Ya” nasceu da indignação de 50 pessoas. Começou pequeno. Os tempos são outros, Twitter e Facebook à frente, a grande rede fez com que a indignação dos jovens desbordasse para mais de 300 cidades espanholas. Hoje são milhares de espanhóis que estão na rua gritando “BastaYa!”. Os jovens ainda são a maioria, mas há gente de todas as idades nas praças da Espanha. Indignação não pressupõe juventude.

Já há sinais de mais gente indignada se movendo por outros países da comunidade européia.

Para compreender melhor o propósito do movimento, leia trechos do Manifesto da “Democracia Real Ya”:

“Somos personas normales y corrientes. Somos como tú: gente que se levanta por las mañanas para estudiar, para trabajar o para buscar trabajo, gente que tiene familia y amigos. Gente que trabaja duro todos los días para vivir y dar un futuro mejor a los que nos rodean.”

“Unos nos consideramos más progresistas, otros más conservadores. Unos creyentes, otros no. Unos tenemos ideologías bien definidas, otros nos consideramos apolíticos… Pero todos estamos preocupados e indignados por el panorama político, económico y social que vemos a nuestro alrededor. Por la corrupción de los políticos, empresarios, banqueros…”

“Los ciudadanos formamos parte del engranaje de una máquina destinada a enriquecer a una minoría que no sabe ni de nuestras necesidades. Somos anónimos, pero sin nosotros nada de esto existiría, pues nosotros movemos el mundo.”

No Twitter, a Hashtag #acampadasol detonou o processo. Evoluiu para #spanishrevolution e se tornou o 2º “Trending Topic” mundial. Há quem considere o título “Spanish Revolution” um exagero. As revoltas árabes e os protestos islandeses são a inspiração, sem dúvida. Se o movimento espanhol é ou não uma verdadeira revolução, não importa muito. O importante é que a Espanha mudou nesta semana. Os políticos estão preocupados, o movimento alterou a conjuntura e o que ninguém duvida mais é que a voz das ruas deve ser escutada.

O primeiro-ministro José Luis Zapatero, aqui chamado de “presidente del Gobierno”, disse que é sua obrigação escutar os indignados. Perguntado se tivesse 25 anos, ele estaria na Porta do Sol, respondeu: “Sí, seguramente estaria”. E acrescentou, “¿Cómo no voy a entender que la gente que no encuentra trabajo proteste?”

Melhor escutar Cristina, uma ouvinte da rádio pública espanhola, explicando por que está indignada… vale a pena.

http://www.youtube.com/watch?v=3yQxixRBCls&feature=youtu.be

Em Barcelona, não foi diferente. Seguem algumas imagens da Plaza Catalunya, centro de Barcelona.















PS: Toma la plaza
http://tomalaplaza.net/
 

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Sobre o autor

Cláudio Versiani

Cláudio Versiani

* Jornalista há mais de 30 anos, foi editor de Fotografia do Correio Braziliense e repórter fotográfico de Veja, IstoÉ e O Globo. Seu trabalho como fotógrafo já lhe rendeu vários prêmios nacionais e internacionais, como o Líbero Badaró, o Nikon Awards e o Abril de Fotojornalismo. Atualmente, é fotógrafo free lancer em Barcelona, onde co-edita a revista eletrônica sobre fotografia Pictura Pixel.

Outros textos de Cláudio Versiani.

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