Temer troca comando da Polícia Federal e substitui Daiello por Fernando Segóvia

Reprodução/TV Senado

Fernando Segóvia foi superintendente da PF no Maranhão, base política de Sarney

 

O presidente Michel Temer escolheu o delegado Fernando Segóvia para substituir o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello. A decisão foi comunicada pelo Ministério da Justiça, pasta à qual a PF está subordinada, por meio de nota à imprensa (íntegra abaixo) divulgada nesta quarta-feira (8).

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A troca de comando da Polícia Federal já era cogitada desde a posse do atual ministro da Justiça, Torquato Jardim – em 7 de setembro, Torquato admitiu publicamente, pela primeira vez, que promoveria a troca. No comando da PF desde 2011, Daiello é o diretor-geral mais longevo desde a redemocratização (1985) e estava à frente das operações da Lava Jato desde o início das investigações, cujas primeiras ações foram deflagradas em março de 2014.

Esse fato suscitou a hipótese de que, com a troca de Daiello, Temer e demais políticos investigados passariam a procurar alguém de perfil moderado para a função. De fato, a substituição foi bem recebida pela cúpula do Palácio do Planalto, repleta de investigados: o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o subchefe de Assuntos Jurídicos da pasta, Gustavo Rocha – conselheiro de primeira hora de Temer –, trabalharam para que Segóvia fosse indicado ao posto. Além de Padilha, Gustavo e do próprio Temer, o ministro Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) é alvo de investigações conduzidas pela PF em parceria com o Ministério Público Federal.

Daiello tentava viabilizar o diretor-executivo da corporação, Rogério Galloro, mas enfrentou resistência de um grupo de políticos às voltas com investigações criminais. A indicação de Galloro chegou a ser levada à apreciação de Temer, mas foi atropelada pelos defensores de Segóvia junto ao peemedebista, que conseguiu na Câmara barrar inquéritos por corrupção passiva, organização criminosa e obstrução de Justiça até 1º de janeiro de 2019.

Segóvia foi superintendente regional da PF no Maranhão, base política do ex-presidente da República José Sarney. O presidente, aliás, fez lobby pela nomeação do agora diretor, e tratou do assunto por diversas vezes com Temer. As informações são da repórter Andréia Sadi, da Globonews. A um dos encontros com Temer, informa a jornalista, Sarney levou o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), um dos principais interessados na troca de comando da PF. A exemplo do presidente e de Sarney, Jucá é acusado de compor um dos “quadrilhões do PMDB”, na definição da Procuradoria-Geral da República (PGR).

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A despeito das polêmicas, a substituição foi elogiada pelo presidente da Federação Nacional de Policiais Federais (Fenapef), Luís Antonio Boudans. “Ele tem bom trânsito com o governo e boa aceitação dentro da PF em todos os cargos. A escolha é acertada. Agora, esperamos que o novo diretor finalize vários projetos que ficaram parados como a revogação da Lei 4878/65, que é o regime disciplinar da PF, e o combate ao suicídio na polícia. Na gestão Daiello, foram 26 suicídios e mais de 51 mortes na PF”, declarou o dirigente.

Segóvia ganhou força na corporação quando chefiou um dos departamentos destacados para promover a adequação da PF ao Estatuto do Desarmamento. Durante esse trabalho, o diretor se projetou para além do âmbito institucional e, na ocasião, teve de lidar com parlamentares de partidos diversos.

Confira a nota do Ministério da Justiça:

O Ministério da Justiça comunica que o senhor Presidente da República escolheu nomear o Delegado Fernando Segóvia como novo diretor-geral do Departamento de Polícia Federal.

Nesta mesma oportunidade, o ministro da Justiça expressa ao Delegado Leandro Daiello seu agradecimento pessoal e institucional pela competente e admirável administração da Polícia Federal nos últimos seis anos e dez meses.

O Delegado Fernando Segóvia é advogado formado pela Universidade de Brasília, com experiência de 22 anos na carreira. Foi superintendente regional da PF no Maranhão e adido policial na República da África do Sul, tendo exercido parcela importante de sua carreira em diferentes funções de inteligência nas fronteiras do Brasil.

 

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