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Queijo com café, uma parceria certeira

Como já ensinou o grande Guimarães Rosa, “Minas são muitas. Porém, poucos são aqueles que conhecem as mil faces das Gerais”

A combinação do cafezinho com um bom queijo mineiro fresco começou em Minas, mas promete se espalhar logo para outras regiões. Ainda há muitas experiências sensoriais para aventuras do paladar, mas o princípio básico norteador é que queijos curados, mais picantes, com gordura e sal pronunciados, combinam com grãos de maior acidez, garantem os especialistas em café.

O tema mereceu reportagem de capa da revista Espresso, cujo foco é café, gastronomia e viver bem, na edição número 56 (meses de junho, julho, agosto de 2017). A foto na capa, garanto a vocês, é de dar água na boca. A reportagem traz entrevistas e testemunhos de vários profissionais especialistas em queijos artesanais e café e coffee hunters, com ensinamentos e descobertas de combinação de sabores que vai deliciar muitos brasileiros.

A consultora de cafés Eliana Relvas adianta que “o café é neutro, permite parceria de sabores infinitas. É uma via de mão dupla com o queijo: um parmesão tem o sal amenizado e o amargor do café também diminui por causa dos elementos do queijo”. Ela explica que o queijo tem gorduras, proteínas e açúcares, além do ácido lático (parte da fermentação). O café tem ácido cítrico, açúcares e os compostos da cafeína.

Assim, cafés com notas achocolatadas ficam melhor se acompanhados de queijos de massa mole. A consultora diz que “vai parecer mesmo que você comeu uma barra de chocolate no final”. Para quem quiser testar com queijos azuis, a dica é que seja degustado com um café com a torra completa – não clara – “para que todos os sabores estejam ali para dar suporte à gordura maior deles”, revela Eliana Relvas.

Reprodução

"A combinação do cafezinho com um bom queijo mineiro fresco começou em Minas"

Como já ensinou o grande Guimarães Rosa, “Minas são muitas. Porém, poucos são aqueles que conhecem as mil faces das Gerais”. Ainda há muito a descobrir também nesses produtos com selo e sotaque mineiros.  Os queijos colecionam prêmios em concursos disputados e as regiões do Serro, da Canastra e do Salitre têm seus produtos e feituras reconhecidos como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro.

O Estado é hoje o maior produtor de café do Brasil, com 56,4% do total produzido e também é um dos maiores produtores de leite (26% do total). São 254 produtores de queijo artesanal em sete regiões:  Araxá, Campo das Vertentes, Canastra, Cerrado, Serra do Salitre, Serro e Triângulo Mineiro. Cada vez mais, eles procuram aprimorar não só os queijos, seus produtos mais famosos, como também os grãos para o cafezinho.

Fica aqui a dica do produtor do queijo Capim Canastra, Guilherme Ferreira, premiado com medalha de prata na categoria leite cru de vaca prensado e não cozido no Mondial du Fromage da cidade de Tours, em 2015:

“Café da manhã aqui é café preto e queijo curado. E pão de queijo tem sempre! Estamos fazendo manteiga com o soro do queijo. Aí a gente pega o creme do soro do leite e coloca no café sem açúcar para tomar comendo um pedaço de queijo. Fica muito bom! E uma pitadinha de manteiga na xícara de café também eu recomendo provar, viu?”

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Sobre o autor

Miriam Moura

Miriam Moura

Miriam Moura é jornalista, com larga experiência na cobertura política em Brasília. Trabalhou em jornais como O Globo, O Estado de S. Paulo e foi assessora de Comunicação em tribunais superiores, como STJ, TST e CJF. É diretora de Consultoria e Treinamentos na Oficina da Palavra e In Press Oficina.

Outros textos de Miriam Moura.

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