Domingo, 23 de Abril de 2017

Oposição vai tentar novamente CPI da Corrupção

Diante da nova operação da Polícia Federal, que prendeu 38 pessoas na manhã desta terça-feira envolvidas com desvio de dinheiro no Ministério do Turismo, oposição volta a falar em ampla investigação do governo

ACM Neto prega uma "ampla investigação" sobre os vários escândalos que vêm sacudindo o governo Dilma - Luiz Alves/Câmara

A oposição no Congresso se articula para apresentar um novo pedido de CPI mista para investigar as recentes denúncias de corrupção no governo federal. A intenção é elencar no texto do requerimento os recentes escândalos nos ministérios, em especial os envolvendo a pasta do Turismo, alvo da Operação Voucher, da Polícia Federal, na manhã desta terça-feira (9). Em Brasília, São Paulo e Amapá foram presas 38 pessoas, entre elas o secretário-executivo do Ministério, Frederico Silva da Costa.

“Estive reunido com líderes da oposição e concluímos que só uma CPI da Corrupção, ampla, pode desvendar e elucidar esses escândalos”, disse o líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA). Segundo o demista, o requerimento de criação de CPI está sendo redigido pelo líder do partido no Senado, Demóstenes Torres (GO). O texto vai relatar, “com embasamento jurídico”, as recentes denúncias contra os ministérios da Agricultura, dos Transportes e do Turismo. “Não são fatos isolados de corrupção no governo Dilma-PT, como o ocorrido no Ministério do Turismo. A corrupção no governo é endêmica!”, disparou ACM Neto.

O líder do DEM na Câmara adiantou que vai cobrar dos partidos envolvidos nas denúncias apoio para a CPI. Para ele, é a “única forma de defesa dos acusados”. As pastas da Agricultura e dos Transportes são comandadas por indicados do PMDB. Já a dos Transportes é do PR. O governo, no entanto, ainda mantém a mesma tática: para cada denúncia de corrupção, o ministro responsável deve ir ao Congresso se explicar, sob forma de convite. Pedidos de CPIs serão esvaziados pela base governista.

“Se Dilma quisesse fazer limpeza, apoiaria a CPI da Corrupção. Dilma nomeou essas pessoas. O governo é dela”, disse ACM Neto. Para o líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR), o estouro de mais um escândalo reforça a necessidade da instalação de uma CPI da Corrupção no Congresso Nacional. “Não é possível continuar convivendo com isso. É um escândalo atrás do outro e que atinge todas as áreas do governo. Parece saco de caranguejo, que você puxa um e vem outro grudado. Essa é a herança de Lula para Dilma: um saco de caranguejos corruptos”, finalizou o deputado.

Além de apoiar a CPI, o PPS deve protocolar hoje um requerimento de convocação do ministro do Turismo, Pedro Novaes (PMDB), para que ela preste depoimento na Câmara para explicar as denúncias que resultaram na Operação Voucher e na prisão de 38 pessoas. Além disso, o partido também vai apresentar na comissão de Turismo de Desporto um pedido para que o Tribunal de Contas da União (TCU) faça uma devassa completa em todos os contratos do ministério.

Desgaste

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), disse hoje que a Operação Voucher provoca desgaste na imagem do partido. Na ação, o secretário executivo do órgão, Frederico Silva da Costa, mais 37 pessoas foram presos acusados de participar de um esquema de desvio de recursos públicos. Apesar de a operação, até o momento, não indicar a participação do ministro Pedro Novais nas irregularidades, Sarney ressaltou que o episódio prejudica o PMDB. “Não há dúvida de que um assunto dessa natureza desgasta o partido. Agora, deve-se investigar o máximo possível até onde possa investigar”, disse, ao classificar Novais como um homem de “reputação ilibada”.

O ministro dos Transportes é deputado eleito pelo Maranhão, estado dominado politicamente pela família Sarney. No entanto, o presidente do Senado negou que a indicação do peemedebista para a pasta tenha sido sua. “Em primeiro lugar, quero dizer que essa é uma informação que não foi bem apurada pela imprensa, uma vez que o ministro não foi indicação minha. O acordo com o PMDB foi de que a Câmara ficou de indicar o ministro do Turismo e a bancada do Senado indicar outro ministro, que era o de Minas e Energia”, disse Sarney.

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