Lava Jato: deputado Nelson Meurer vira réu por corrupção e lavagem de dinheiro

Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Com a decisão, Meurer passa a responder formalmente por uma acusação no STF, deixando a condição de alvo de inquérito para investigado em ação penal

O deputado Nelson Meurer (PP-PR) tornou-se réu da Operação Lava Jato no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (21). A denúncia contra o parlamentar, feita pelo Ministério Público Federal no ano passado, foi aceita por unanimidade pelos ministros da 2ª Turma da corte, colegiado reservado apenas aos inquéritos relativos ao esquema de corrupção na Petrobras. O deputado e seus dois filhos, Nelson Meurer Jr. e Cristiano Augusto Meurer, serão investigados por suspeita de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

De acordo com a denúncia, o parlamentar contribuiu para a indicação e manutenção de Paulo Roberto Costa na Diretoria de Abastecimento da Petrobras, com o objetivo de se beneficiar das vantagens ilícitas obtidas por meio de contratos de empreiteiras com a estatal. De acordo com a acusação, Nelson Meurer recebeu pelo menos R$ 29,7 milhões, correspondentes a 99 repasses mensais de R$ 300 mil.

Ainda segundo a denúncia, os filhos do deputado ajudaram o pai no recebimento e na dissimulação dos recursos, com plena consciência de sua origem ilícita.

A defesa de Nelson Maurer argumentou que não há provas que atestem de fato sua participação no esquema criminoso, apenas presunções sobre seu envolvimento no caso apenas por integrar a cúpula do Partido Progressista.

O relator da Lava Jato no STF, Teori Zavascki, rejeitou os argumentos da defesa e leu trechos da delação de Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Yousseff, no sentido de reforçar as evidências de envolvimento dos acusados. “Em suma, a análise dos autos revela a existência de indícios robustos para, nestes termos, receber a denúncia, cuja a narrativa dá conta de que o deputado, com auxílio de seus filhos, na condição de integrante da cúpula do PP, recebeu para si e concorreu à percepção por parte de outros integrantes da mesma agremiação partidária de vantagens indevidas oriundas de propina destinada ao diretor da estatal da economia mista, Paulo Roberto Costa, em função do cargo por negócio ilícito com ela celebrado”, afirmou o relator, que foi acompanhado pelos ministros Dias Toffoli, Cármen Lucia, Celso de Mello e Gilmar Mendes.

Com a decisão, o deputado passa a responder formalmente por uma acusação no STF, passando da condição de alvo de inquérito para investigado em ação penal

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