Kátia Abreu: “Por que PMDB nunca pune filiado condenado ou preso?”

Jane de Araújo/Ag. Senado

Beijinho, beijinho e tchau, tchau? Kátia Abreu e o presidente do PMDB, Romero Jucá. Demonstração de carinho, só no passado

 

Ameaçada de expulsão do PMDB por não apoiar o governo Michel Temer, a senadora Kátia Abreu (TO) questionou por que o partido é condescendente com filiados condenados pela Justiça e presos, a exemplo do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ). Ontem a Comissão de Ética da legenda encaminhou pedido de suspensão temporária das atividades partidárias. A recomendação do colegiado precisa ser confirmada pela Executiva Nacional.

Em defesa encaminhada nessa quarta-feira (16), a senadora apontou “vícios processuais” no processo e pediu que sejam ouvidas 24 testemunhas, entre elas, o presidente do Senado, Eunício Oliveira (CE), e o ministro dos Esportes, Leonardo Picciani (RJ).

“Por que nunca puniram nenhum filiado condenado e preso por crimes graves como corrupção e formação de quadrilha?”, provocou. “Minha única ‘infração’ foi fazer discursos contrários ao atual governo do Tocantins e ao presidente da República. Desproporcional, não acham?”, emendou em publicação no Facebook.

Ex-ministra da Agricultura no governo Dilma, Kátia votou contra o impeachment da ex-presidente e tem atuado junto com a oposição a Temer no Senado. Autora de discursos duros contra a reforma trabalhista e da Previdência, além de votar contra outras propostas do governo, ela é alvo de um pedido de expulsão do partido, assim como o senador Roberto Requião (PMDB-PR), outro crítico do governo Temer que tem feito discursos em tom duro contra as ações do atual governo.

Suspensão como castigo

A Comissão de Ética do PMDB decidiu dar prosseguimento ao pedido contra Requião e designou um relator para o caso. O senador paranaense está na sigla desde que ela se chamava MDB e atuava como uma frente de oposição à ditadura militar. Diferentemente de Kátia, que se filiou há poucos anos e negocia migração para outro partido, Requião diz que lutará até a última instância para permanecer na legenda.

Na semana passada a cúpula peemedebista já havia determinada a suspensão dos seis deputados da bancada que votaram pela continuidade das investigações contra o presidente Michel Temer. Foram eles: Sérgio Zveiter (RJ), que deu parecer favorável ao prosseguimento das apurações na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Jarbas Vasconcellos (PE), Vitor Valim (CE), Laura Carneiro (RJ), Celso Pansera (RJ) e Veneziano Vital do Rêgo (PB). Com a suspensão, os parlamentares ficam impedidos de ocupar cargos de direção partidária ou de responder pelo partido nas comissões do Congresso.

Mudança cosmética

Com boa parte de seu comando enrolada na Lava Jato, o partido prepara mudança de nome para reduzir sua impopularidade. O presidente da sigla, senador Romero Jucá (RR), propôs em reunião da Executiva que o PMDB volte a se chamar Movimento Democrático Brasileiro (MDB). A decisão sairá na convenção nacional marcada para  27 de setembro. MDB foi o nome do partido até 1980.

“Nós estamos discutindo isso. Movimento é algo muito mais consentâneo, registra como uma ação mais concreta. A gente quer novamente ganhar as ruas. Vamos ter uma nova programação, bandeiras nacionais, bandeiras regionais”, afirmou Jucá. Investigado em vários inquéritos da Lava Jato, ele é um dos principais defensores da saída de Kátia Abreu.

O senador alega que a mudança no nome ajuda o partido a se reencontrar com sua história. “Estamos apenas resgatando essa questão histórica. Nós não estamos mudando o nome do partido. [...] Nós queremos ser muito mais que um partido, nós queremos ser uma força política e nós vamos ser”, ressaltou.  A sigla já foi usada pelo partido entre 1966 e 1979, quando fazia o contraponto à Arena, legenda que apoiava o governo ditatorial.

A mudança de nome, com a exclusão do “P” de partido, tem sido adotada por várias legendas para fugir do desgaste político e eleitoral. O PTN virou Podemos; o PTdoB, Avante. Já o PSDC se apresenta como Democracia Cristã, e o PEN, como Patriota.

Problemas na Justiça

Com 62 deputados e 22 senadores, o PMDB possui a maior bancada no Congresso. A sigla nunca chegou à presidência por meio de eleição direta. No entanto, já está em sua terceira presidência do país. O primeiro presidente pelo partido foi José Sarney, em 1985, que assumiu a Presidência após a morte de Tancredo Neves. Em 1992, Itamar Franco, que havia se filiado meses antes, assumiu a Presidência após o impeachment do então presidente Fernando Collor. Situação semelhante ocorreu ano passado, com a chegada de Michel Temer à Presidência em meio ao impeachment de Dilma.

De acordo com levantamento exclusivo da Revista Congresso em Foco, o PMDB é o segundo partido em número de parlamentares investigados no Supremo Tribunal Federal, atrás apenas do PP, que tem 35 parlamentares sob suspeita. O PMDB aparece ao lado do PT, com 32 congressistas com acusações criminais.

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