Governo vai mudar o comando da PF em até 30 dias, diz jornal

Agência Brasil

Tanto Cardozo, (esq.), ex-ministro da Justiça, quanto Diello (dir.), diretor-geral da PF, não conseguiram blindar o governo das ações da Lava Jato

Nos próximos 30 dias o governo deve anunciar um novo nome para assumir a diretoria-geral da Polícia Federal. De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, o atual diretor, Leandro Daiello, no cargo desde 2011, perdeu a confiança do Planalto depois da divulgação de gravações telefônicas envolvendo a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula, que foram feitas pela PF com autorização do juiz Sergio Moro, do Paraná.

A missão de encontrar um novo nome para assumir a Polícia Federal está com o novo ministro da Justiça, Eugênio Aragão. O novo diretor-geral deve fazer parte do mais alto quadro de delegados da PF, chamado de “classe especial”. Depois de escolhido por Aragão, o substituto passará pelo crivo da presidente Dilma Rousseff, a quem cabe nomear de fato o indicado para o comando da PF.

Ainda segundo apuração do jornal Folha de S. Paulo, o governo sabe das críticas que vai sofrer caso se confirme a troca de comando na polícia, mas avalia que é fundamental ter alguém de confiança no seu controle. O atual diretor tem sofrido críticas do governo, do ex-presidente Lula e usará estes 30 dias de prazo para também procurar outro setor da instituição para atuar. O período de transição, porém, pode ser mais curto se o governo encontrar mais rapidamente um novo diretor para a Polícia ou, ainda, se Daiello pedir para deixar o cargo antes do previsto.

Em pouco mais de um mês, Daiello deve ser o segundo nome a perder o cargo devido às ações da Polícia Federal contra o governo. O primeiro foi o ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, agora deslocado para a Advogacia-Geral da União. Cardozo foi questionado pelos vazamentos dos conteúdos das delações premiadas da Operação Lava Jato, pela prisão do publicitário João Santana e de sua mulher Mônica Moura e também pelas investigações ao ex-presidente Lula. À época, o ministro argumentou que a corporação tem autonomia e que só pode atuar em caso de violação de direitos.

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