Crise hídrica histórica no DF deixa regiões sem água por dias; Rollemberg suspende irrigação de plantas

Agência Brasília

Principal reservatório de Brasília, o Descoberto chegou nesta segunda-feira (23) ao seu limite mínimo estipulado pela Adasa para o mês de outubro

 

Vivendo sua maior crise hídrica da história, com a ausência de chuvas na capital, Brasília está longe de sair dessa situação. Nesta segunda-feira (23), o volume do reservatório do Descoberto chegou a 9%, limite estabelecido pela Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa). Apesar dos últimos índices e da falta de água que afeta severamente regiões sem abastecimento há uma semana, a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) ainda não manifestou quais medidas concretas serão tomadas para evitar um colapso hídrico. Diante da situação, o governador do DF, Rodrigo Rollemberg, suspendeu a irrigação de plantas nos prédios públicos da capital.

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Distante há 36 quilômetros (km) do centro da capital, alguns moradores da região administrativa de Brazlândia amargam a seca sem água na torneira há uma semana. Desde o último domingo (15), moradores de algumas regiões da cidade alegam não contar com abastecimento de água, que, segundo eles, foi cortado sem qualquer aviso prévio.

“Quando foi fazer racionamento no resto do DF, na elite, saiu na televisão, saiu no jornal. Em todo lugar avisou. Aqui não. [...] A gente fica aqui desse jeito, como se a gente não merecesse nenhum respeito nem consideração por parte do governo”, disse Hélio Antonio da Silva, morador de Brazlândia, à rádio CBN.

Ouça íntegra da reportagem da CBN:

A situação na região se agravou com o esvaziamento do Barrocão, principal córrego que abastece a cidade. O Barrocão também é utilizado para irrigação de agricultura na região. Sobre a situação, a Caesb alega que está enfrentando dificuldades para abastecer a população e disse, ao contrário do que relatam moradores à rádio CBN, que os cortes emergenciais começaram a ser realizados às 12h da última sexta-feira (20).

À rádio, o coordenador de desenvolvimento da Caesb, Cristiano Gouveia, admitiu que a situação é extremamente grave e justificou a decisão de suspender por dois dias o abastecimento na região como necessária. “A gente está com menos da metade da água. Essa situação perdurando até o final do mês, nós continuaremos fazendo paralisações parciais no sistema, de forma que a gente possa distribuir a água que nós temos dentre todas as regiões dentro de Brazlândia. Não há privilégio para uma região A ou B”, justificou.

De acordo com nota da Caesb, o Barrocão sofreu redução de 30 litros por segundo (l/s) na captação de água, que estava em torno de 70 l/s para cerca de 40 l/s. “Com essa vazão, a Caesb não consegue acionar nenhuma das duas bombas, que são utilizadas para garantir o abastecimento da região”, diz o texto enviado à imprensa.

Esplanada com água

Apesar da gravíssima crise hídrica na capital do país, que deixa milhares de pessoas sem água diariamente, ministérios, palácios, tribunais e outros órgãos públicos federais instalados na Praça dos Três Poderes e da Esplanada dos Ministérios estão fora do racionamento. Os palácios do Alvorada e Jaburu, residências oficiais da Presidência e da Vice-Presidência, respectivamente, também não entram no racionamento.

De acordo com a Caesb, a decisão para poupar esses endereços foi tomada porque a medida, definida pelo órgão do DF, não poderia interferir em competências federais. Ao Congresso em Foco, a assessoria do governador  do DF, Rodrigo Rollemberg, afirmou que foi determinado, nesta segunda-feira (23), a suspensão da irrigação dos canteiros do DF, bem como dos prédios de órgãos públicos.

“O governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg, determinou à Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) a suspensão imediata da irrigação dos canteiros do Distrito Federal e dos prédios de órgãos públicos, incluindo o Palácio do Buriti”, diz íntegra da nota enviada ao site.

Racionamento de 24h

Atualmente, o corte em cada região é de 24 horas semanais. Na última semana, a Adasa autorizou a Caesb a ampliar o período de racionamento de água para 48 horas. No entanto, ao Congresso em Foco,  a agência reguladora explicou que o aumento no período de corte só poderá ser realizado mediante apresentação prévia de um Plano de Racionamento. “A ampliação da medida restritiva só pode entrar em vigor após esta Agência analisar e aprovar o referido plano, que até este momento ainda não foi apresentado pela concessionária”, disse a Adasa.

Para acompanhar o consumo, a Adasa criou uma curva de acompanhamento para estabelecer o limite mínimo a ser alcançado mensalmente. De acordo com a curva de acompanhamento de outubro, a agência esperava que ao fim deste mês de agosto o reservatório do Descoberto estivesse com 9% de sua capacidade, limite que foi alcançado nesta segunda-feira (23).

No caso do reservatório de Santa Maria a curva prevê um limite no volume de 23%. Nesta segunda-feira, o nível estava em 24,2%. Já no Descoberto, atualmente a curva definida pela agência é de 9% para o fim de outubro. Na medição desta sexta (20), o reservatório marcou 10,5% da capacidade.

Desde o dia 17 de janeiro deste ano, regiões administrativas abastecidas pelo Reservatório do Descoberto sofrem com o racionamento de água por um período de 24 horas, de seis em seis dias. Poupadas no primeiro momento, as regiões abastecidas pelo sistema Santa Maria/Torto, que englobam áreas nobres de Brasília, passaram a conviver com o racionamento no final de fevereiro.

Nesta segunda-feira (23), a Caesb deve enviar novo plano de racionamento de água em Brasília para aprovação da Adasa. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as chuvas em Brasília devem começar na sexta-feira (27).

 

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