“Bandido bom é bandido morto”, diz deputado réu no STF e condenado por desvio de dinheiro público

Antônio Cruz/ABr

Alvo da Lava Jato, deputado responde por vários crimes como corrupção, desvio de dinheiro público e até por compra de gêneros alimentícios e bebida alcoólica com recursos de prefeitura

 

Réu em três ações penais e investigado em outros três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), o líder do governo no Congresso, deputado André Moura (PSC-SE), defendeu tolerância zero com criminosos ao discursar sobre segurança pública em Sergipe. Segundo ele, “bandido bom é bandido morto”. O deputado é acusado de formação de quadrilha e crimes de responsabilidade. Também é alvo de investigações por tentativa de homicídio, corrupção, apropriação de dinheiro público em razão do cargo público (peculato) e fraude em licitações. Duas das apurações se referem à Operação Lava Jato.

“A segurança pública é um caos. Falta no governo um homem que tenha pulso para mostrar que aqui em Sergipe, como em muitos lugares, lugar de bandido não é em Sergipe. Bandido bom é bandido morto. E aqui em Sergipe nós vamos mostrar que é possível fazer segurança de verdade”, declarou o deputado em um evento no interior do estado na sexta-feira da semana passada (20).

O líder do governo no Congresso confirmou a autenticidade do vídeo que circula nas redes sociais. Tratado na política local como pré-candidato ao governo de Sergipe, André Moura acumula três condenações na esfera cível, cujos processos não tramitam no Supremo. O parlamentar foi um dos principais articuladores da derrubada das duas denúncias contra o presidente Michel Temer.

Veja o vídeo:

 

Em agosto, André Moura foi condenado em primeira instância por ter lesado os cofres públicos do município de Pirambu (SE), do qual foi prefeito, em R$ 1,4 milhão. O valor, segundo a a acusação, foi destinado para o Olímpico Pirambu Futebol Clube, o “Time do Mourão”, que, de acordo com a denúncia, foi beneficiado por convênios assinados com a prefeitura de Pirambu no valor de R$ 755 mil àquela época.

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A Justiça sergipana concluiu, em outros dois processos, que André Moura utilizou dinheiro público para comprar produtos alimentícios, inclusive para churrasco, e até bebida alcoólica para consumo particular. Cabe recurso contra a decisão.

No caso da tentativa de homicídio, a Polícia Federal entendeu que não há como comprovar a acusação feita por um ex-prefeito – inicialmente aliado, depois inimigo político. Ainda cabe à Procuradoria Geral da República se manifestar sobre o assunto.

Na Lava Jato, André Moura é suspeito de atuar em conjunto com aliados do ex-deputado Eduardo Cunha para chantagear empresas na Câmara. Nos demais casos, é acusado de se apropriar ou desviar bens públicos, durante e após o seu mandato de prefeito de Pirambu, como gêneros alimentícios e veículos da frota municipal; de receber ilicitamente mesada de R$ 30 mil a R$ 50 mil e de indicar funcionários fantasmas, entre eles sua esposa, para trabalhar na prefeitura. As acusações foram feitas por um ex-prefeito da cidade, ex-aliado do deputado, que diz ter sido ameaçado de morte por Moura. Ele suspeita que o parlamentar esteja por trás dos disparos que atingiram de raspão o vigilante de sua casa em 2007.

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