Alckmin nega estar em campanha, mas recebe carta de ruralistas como futuro presidenciável

Joelma Pereira/Congresso em Foco

Alckmin passou o dia em Brasília, reunido com parlamentares e lideranças do setor agropecuário

 

Na corrida presidencial de 2018, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), busca se aproximar de setores como o agropecuário. Apesar de negar ter vindo como possível presidenciável, Alckmin recebeu uma carta com recomendações do setor agrícola caso se torne o próximo presidente do país. Entre os pedidos, a flexibilização e desburocratização no processo de licenciamento ambiental.

“Eu vim como governador. É importante estudar as coisas do Brasil. O Brasil é uma República Federativa e precisamos entender a federação”, respondeu, ao ser questionado sobre sua presença na reunião da Frente Parlamentar da Agropecuária. Diante dos recentes desgastes entre nomes fortes do PSDB, os tucanos buscam um nome de liderança para a disputa. Alckmin vem se apresentando, nos últimos dias, como a alternativa mais viável da sigla.

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Nesta terça-feira (12), o governador de São Paulo esteve reunido durante boa parte do dia com associações de produtores rurais e parlamentares que integram a Frente Parlamentar da Agropecuária, em um almoço no Lago Sul, bairro valorizado de Brasília.

No documento recebido por Alckmin, de três páginas, os ruralistas afirmam que a pauta defendida pelo setor passa pelas demarcações de terras indígenas, terras para estrangeiros e a flexibilização do licenciamento ambiental. O texto diz ainda que o foco agora é a reforma tributária, bem como a celeridade na liberação de defensivos agrícolas. “Precisamos encerrar o ano com o setor mais eficiente e desburocratizado”, diz trecho da carta.

Em busca de apoio para possível candidatura, Alckmin tem se aproximado do setor. Com discurso defensivo aos ruralistas, o governador paulista ressaltou que a agricultura é um setor estratégico para o desenvolvimento do país. “O futuro a Deus pertence, mas, independentemente do futuro, o Brasil é vocacionado, já é uma potência agrícola e vai crescer ainda mais. Tem que ser uma potência agroindustrial, agregando valor para ter mais emprego e renda”, destacou.

Palavra tucana

Presidente da Frente Parlamentar da Agricultura, o deputado Nilson Leitão (PSDB-MT) defendeu a presença de Alckmin como liderança nacional e importante no cenário rural. “Todas as lutas da Frente Parlamentar atinge diretamente os governadores do Brasil. Todos eles. Se vai mal a agricultura devido a burocracia da legislação, devido ao debate ideológico e devido ao que nós queremos fazer nessas reformas, obviamente que uma palavra do governador Geraldo Alckmin ajuda a convencer não só o executivo, mas até mesmo o Judiciário”, defendeu.

Na Câmara, a bancada ruralista também se movimenta para alterar as leis que tratam da proteção dos direitos do trabalhador rural. A intenção é restringir o poder da Justiça do Trabalho e do Ministério Público do Trabalho e alterar normas para permitir, por exemplo, que o empregador deixe de pagar salário ao empregado do campo.

Nesse caso, a remuneração poderá ser feita por “qualquer espécie”, como alimentação e moradia. Nilson Leitão assumiu a presidência da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) em fevereiro deste ano, com o compromisso de ser a nova voz dos ruralistas na Câmara e encampar projetos polêmicos.

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