Câmara tem ataques entre PT e PSL, falas de famosos e memórias do Império

Deputados que tomaram posse na última sexta-feira (1) puderam, nesta terça (5), usar pela primeira vez a tribuna do plenário da Câmara. A sessão, não deliberativa (ou seja, não se discutiu projetos), serviu para marcar a estreia de figuras conhecidas eleitas em outubro do ano passado e ainda foi palco de um bate-boca entre parlamentares do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, e do PT, dono da maior bancada da Casa e da oposição.

Os atritos começaram com uma fala do deputado Valmir Assunção (PT-BA), integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Em seu segundo discurso na tarde, Assunção criticava o governo Bolsonaro quando foi interrompido pelo deputado Delegado Éder Mauro (PSD-PA).

Na presidência da sessão, a deputada Geovania de Sá (PSDB-SC) pediu a Éder Mauro que respeitasse o tempo de fala do petista. “Ele está atacando o presidente da República e ninguém está falando nada”, protestou Éder Mauro.

Minutos mais tarde, a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) rebateu Assunção. Segundo ela, o deputado defendeu “o maior criminoso da história desse país”, se referindo ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Eu vou dizer ao senhor [Assunção] que nós veremos Lula, chefe da quadrilha do petrolão, apodrecer na cadeia”, esbravejou Joice.

Sérgio Moro

Outro entrevero entre governistas e oposicionistas ocorreu em torno da visita que o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, fará nesta quarta (6) à chamada bancada da bala para explicar o PL Anticrime apresentado por ele na última segunda.

O deputado Glauber Braga (Psol-RJ), afirmou que quer ir à reunião para questionar a Moro “qual é a posição dele sobre o caso Queiroz” e sobre “a denúncia feita no dia de ontem [segunda] ao ministro do PSL que teria laranjas no seu estado”, se referindo às movimentações bancárias suspeitas do ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-SP) e a uma informação levantada pelo jornal Folha de S. Paulo contra o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio (PSL-SP).

Em resposta, o líder da bancada da bala, Capitão Augusto (PR-SP), respondeu a Glauber que a reunião com Moro será aberta, mas não servirá para o psolista “aproveitar desse momento para estar aparecendo na mídia, para fazer espetáculo midiático, pirotécnico”.

O “Campeonato Brasileiro” de Kataguiri

Um estreante na Casa, o deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP), usou pouco mais de 5 minutos para enfatizar a importância da reforma da previdência. Para defender a medida, Kataguiri fez uma analogia com futebol.

“Se você fosse fazer uma comparação entre o Campeonato Brasileiro e o governo de Bolsonaro, o governo Bolsonaro está começando pela final. A final é a votação da reforma previdenciária. E a gente precisa vencer essa final”, afirmou Kataguiri. O detalhe é que não há, desde 2003, disputa de final no Campeonato Brasileiro de futebol, que funciona no sistema de pontos corridos, sem um jogo decisivo.

Frota e a Lava Jato

A tarde teve três participações do deputado Alexandre Frota (PSL-SP). Em uma delas, fora da tibuna, rebate a deputada Erika Kokay (PT-DF), que havia questionado “onde está o Queiroz”. Frota afirmou que os governistas querem uma investigação “com lisura, independente de quem seja”, e questionou “onde está Jean Wyllys [Psol-RJ]”, em alusão ao parlamentar que se disse ameaçado, abriu mão do mandato e deixou o país.

Em outra fala, Frota afirmou que montou “uma comitiva” junto ao Ministério da Justiça e à Polícia Federal (PF) aos presos da Lava Jato, “para termos a certeza se estão tendo privilégios e regalias”.

Descendentes da realeza

O deputado Lafayette Andrada (PRB-MG) aproveitou uma fala do colega de partido João Roma (PRB-BA) para lembrar que os avós deles, os ex-parlamentares José Bonifácio e João Roma, haviam sido amigos.

Descendente de José Bonifácio de Andrada e Silva (1763 – 1838), ministro que foi braço direito do Imperador D. Pedro I durante a Independência, Lafayette lembrou laços ainda mais antigos. “Mais atrás, recuando no tempo, na Revolução Pernambucana de 1817, onde o seu antepassado, o Parde Roma, foi fuzilado, foi ele também colega de meu antepassado, Antônio Carlos Ribeiro de Andrada”, resgatou o congressista.

 

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