Para Eduardo Leite, PSDB não deve precipitar debate sobre 2022

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), disse nesta segunda-feira (9) que o partido não deve discutir neste momento a eleição presidencial de 2022.

“De maneira nenhuma trabalho pensando na próxima eleição. Estou focado no Rio Grande do Sul, não tenho nenhum olhar para a próxima eleição. Está tudo muito distante, tem nenhuma necessidade de exercitar qualquer debate sobre 2022”, disse em entrevista ao Congresso em Foco.

O governador de São Paulo, João Doria, age para ser candidato pelo partido nas próximas eleições ao Palácio do Planalto. Em entrevista ao Congresso em Foco em outubro, o presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, apontou Doria e Leite como candidatos mais prováveis.

O gáucho também comentou o processo que levou a eleição de Jair Bolsonaro como presidente e o processo de reformulação adotada hoje pelo PSDB.

O tucano disse em que o PSDB  “não tem radicalismo”, mas evitou classificar outras forças políticas como radicais.

“Não estou citando alguém especificamente, estou falando sobre o que observamos na sociedade, há radicalismo na sociedade. A eleição do Bolsonaro tem a ver com isso, identificaram nele uma posição que atendia o pensamento da média do cidadão naquele momento e é isso que nós defendemos que não é o caminho, as posições extremadas”, disse o governador.

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Se a eleição presidencial de 2018 fosse restrita ao Rio Grande do Sul, Bolsonaro teria sido eleito no primeiro turno, pois teve maioria absoluta dos votos válidos, com 52,63% dos gaúchos.

Tanto Leite quanto seu concorrente no segundo turno estadual, o então governador José Ivo Sartori (MDB), apoiaram Bolsonaro.

No sábado (7), o PSDB realizou um congresso nacional para o partido tomar posição em temas como redução da maioridade penal, legalização de drogas leves e fim da estabilidade para o serviço público.

Eduardo Leite tem 34 anos e é o mais jovem governador brasileiro. Antes de ser governador, foi prefeito de Pelotas (RS).

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Congresso em Foco: o senhor vem muito a Brasília se reunir com a equipe econômica do governo federal. Há alguma expectativa de quando o estado vai entrar no Regime de Recuperação Fiscal?

Eduardo Leite: temos uma boa expectativa, temos um plano consistente e tratativas em estágio avançado. Entendemos que temos toda a condição de poder aderir nos próximos meses.

O senhor quer ser candidato a presidente em 2022?

Não, de maneira nenhuma trabalho pensando na próxima eleição. Estou focado no Rio Grande do Sul, não tenho nenhum olhar para a próxima eleição.

Mas acha que o partido tem que ter prévias para escolher?
Está tudo muito distante, tem nenhuma necessidade de exercitar qualquer debate sobre 2022.

De que maneira o senhor acha que o PSDB pode renovar?

Ele está nesse caminho, criou um programa de jovens líderes, dezenas de jovens que foram selecionados, vão ter apoio em formação, orientação e até financiamento para as próximas eleições. Tem toda uma estratégia do partido de promover uma renovação em seus quadros e acho interessante mostrar que está em curso. Esse congresso, ele mesmo foi uma forma também de promover um amplo debate interno que ajuda a uma nova coesão partidária.

Definir a posição do PSDB em temas específicos é um avanço? O partido não costumava ter uma definição clara sobre muitos temas.
Sempre teve posição definida. O PSDB não tem radicalismo e não ter radicalismo pode ser definido como ausência de posição e não é, você pode ter posição firme, convicções firmes e não achar quem pense o contrário seja alguém a ser eliminado. É isso que eu defendo no partido, mas é importante manter um debate interno sobre as posições partidárias inclusive para deixar claro ao eleitor o que pensa o partido seus quadros.

PT e Bolsonaro seriam essas posições extremadas?

Não, não estou citando alguém especificamente, estou falando sobre o que observamos na sociedade, há radicalismo na sociedade. A eleição do Bolsonaro tem a ver com isso, identificaram nele uma posição que atendia o pensamento da média do cidadão naquele momento e é isso que nós defendemos que não é o caminho, as posições extremadas.

Crê que a PEC de Emergência Fiscal seja aprovada e o Rio Grande do Sul consiga socorro da União?
O que o ministro Paulo Guedes está fazendo vai ao encontro das necessidades dos estados brasileiros e dos municípios também. Tem que ter um grande esforço de reforma administrativa, programas de ajustes internos e ele está trabalhando no sentido, concordo com as medidas do ministro Paulo Guedes.

Então acha que deve haver uma revisão do regime dos servidores públicos?
A questão não é só fazer ajuste fiscal, é também de modernização da pública pública, mais moderna e ao encontro da vida da sociedade, mais ágil, menos engessada.

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