Presidente do PSDB sobre BolsoDoria: “foi para mostrar que não somos PT”

O presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, justificou o movimento BolsoDoria encampado pelo então candidato em 2018 e hoje governador de São Paulo, João Doria (PSDB), como algo necessário para diferenciar o partido do PT.

“O movimento do segundo turno foi um movimento que mostrava que nós não éramos PT, esse é o movimento do governador João Doria, esse foi o movimento meu em Pernambuco e de grande parte do partido que assumiu o enfrentamento ao PT ao longo dos anos”, disse em entrevista ao Congresso em Foco.

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Em 2018, Araújo foi candidato ao Senado em Pernambuco e também apoiou Jair Bolsonaro para presidente no segundo turno. No primeiro, o candidato do partido era o ex-governador Geraldo Alckmin.

No entanto, o dirigente do PSDB afirma que a legenda discorda de declarações feitas por Bolsonaro depois de eleito. A divergência entre os tucanos e Bolsonaro aparece principalmente em questões sobre a ditadura militar e a pauta de costumes.

A discordância do partido com Bolsonaro foi manifestada, por exemplo, quando o presidente insinuou que sabia o destino de Fernando Santo Cruz, desaparecido político na época da ditadura militar e pai do atual presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz.

“Se fosse Bolsonaro ou quem quer fosse, era uma escolha política para deixar claro que nós não tínhamos nada a ver com a posição do que pensa o PT de projeto de poder para o país. Logo depois da eleição e no início do governo foi ficando claro que, fora das questões de ordem econômica, muitas questões de posicionamentos, costumes e de intolerância não coadunam com a posição de formação política do PSDB”, afirmou Araújo.

Bruno Araújo evita fazer comentários longos sobre a crise entre Bolsonaro e PSL, mas saiu em defesa do presidente do partido de Bolsonaro, Luciano Bivar, seu conterrâneo.

“A única coisa que me cabe como cidadão é que me parece uma relação extremamente descortês em relação ao deputado Bivar, que foi um importante fiador da chegada do presidente da República no PSL. No mais é um assunto interno do partido”, declarou.

Para Bruno Araújo, o PSDB começou a perder espaço como principal oposição ao PT quando não assumiu protagonismo no processo de impeachment de Dilma Rousseff em 2016.

“Principais lideranças [do PSDB] assumiram posições de não abraçar o afastamento da então presidente. Isso demorou para acontecer e, a partir daí, essa narrativa começou a ser perdida pelo PSDB. Além de muitos outros problemas, ela se consolida quando a candidatura presidencial nossa faz uma opção por fazer um embate com Jair Bolsonaro quando a nossa história é de protagonismo, enfrentamento com o PT”, falou.

No entanto, Bruno Araújo evita culpar Geraldo Alckmin, seu antecessor no comando do PSDB e candidato da sigla nas eleições presidenciais de 2018.

“Não estou fazendo responsabilização do nosso candidato a presidente, longe disso, é uma narrativa que começa lá atrás de falta de posição do partido quando os seus quadros na Câmara Federal eram os principais protagonistas desse processo. Chegou ao ponto de as redes sociais acharem que PT e PSDB têm um grau de comunhão política mesmo isso sendo absolutamente ficção”, pontuou.

Nas questões econômicas, o presidente do PSDB afirma que o partido é apoiador da gestão do presidente Jair Bolsonaro. Muitos integrantes da legenda auxiliam ou auxiliaram na condução das reforma econômicas de Bolsonaro.

Rogério Marinho, que foi deputado pelo PSDB do Rio Grande do Norte, é secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Samuel Moreira (SP) foi relator da reforma da Previdência na Câmara, Tasso Jereissati (CE) relata a Previdência no Senado. Roberto Rocha (MA) é relator da reforma tributária no Senado, concebida pelo ex-deputado Luiz Carlos Hauly (PR).

O tucano também elogia a pauta econômica de início de governo dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Michel Temer e centra as críticas em Dilma Rousseff:

“O governo Bolsonaro inclusive dá sequência a gestão econômica do governo Temer, que tinha sido em sintonia com o governo do PSDB. Há uma ponte entre a gestão dos últimos anos do ex-presidente Lula, que do ponto de vista econômico respeitou todos os movimentos de estabilidade da moeda iniciado pelo governo do PSDB. O desenho do desequilíbrio fiscal toma um tamanho exponencial no governo da ex-presidente Dilma, é onde o país vai para bancarrota”.

Sobre a candidatura presidencial em 2022, Araújo não esconde a preferência por João Doria. O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, também é apontado como possibilidade de postulante ao cargo por setores da legenda.

“O PSDB sempre tem um problemas nas eleições presidenciais, um problema que muitas
vezes é problema bom, problema de ter mais de uma alternativa. Enquanto muitos partidos não conseguiram buscar quadros para apresentar uma alternativa, o PSDB sempre chegou a todas eleições presidenciais com mais de uma”, disse Araújo.

E completou: “É público o grau de obstinação, disciplina e foco do governador Doria. Há uma compreensão clara por parte dele e de todos nós de cuidar das administrações estaduais. O que inclusive está fazendo muito bem, um dos mais belos quadros da política nacional que é Eduardo Leite, absolutamente focado para os desafios que tem em um estado tão importante, mesmo com o tamanho de dificuldades, que é o Rio Grande do Sul”.

Bruno Cavalcanti de Araújo tem 47 anos e foi eleito para comandar o PSDB em maio de 2019. Apadrinhado pelo governador João Doria, ele tem a missão de recuperar o apoio popular do PSDB após o pior resultado do partido em eleições presidenciais quando Geraldo Alckmin ficou em 4º lugar na disputa pelo Planalto.

Em 2018 foi candidato ao Senado em Pernambuco, mas ficou em 4º lugar e não foi eleito.

Araújo foi ministro das Cidades do então presidente Michel Temer de maio de 2016 a novembro de 2017. Também foi líder do PSDB na Câmara dos Deputados e se notabilizou por ser o deputado a dar o voto decisivo para o afastamento de Dilma Rousseff da Presidência da da República.

Inicialmente marcado para maio, o PSDB antecipou para  dezembro um congresso nacional para discussão de temas que a legenda não tem se posicionado de forma clara nos últimos anos como a legalização de drogas leves, cobrança de mensalidade em universidades públicas, posse e porte armas e estabilidade dos servidores públicos.

Leia a seguir a íntegra da entrevista:

Congresso em Foco: por que o PSDB resolveu se posicionar sobre todos esses temas no próximo Congresso?

Eu tenho 25 anos de PSDB, nunca estive em outro partido, todos os meus mandatos de deputado estadual, federal e ministro foram pelo PSDB. O PSDB sempre teve um papel muito importante na vida nacional, mas em muitos temas do dia-a-dia o PSDB tomava suas decisões de bancada, mas não com um conceito claro do partido sobre determinados temas. Temas como a redução da maioridade penal, que teve praticamente a unanimidade da bancada na Câmara Federal, o PSDB nunca se posicionou sobre o tema. Reforma política, que eu cheguei a votar como deputado federal por três ou quatro mandatos, o PSDB nunca ofereceu objetivamente uma posição clara, só dizer que é a favor do voto distrital não é suficiente para a constelação de diversidade do que é a reforma política. Nesse intuito de fazer o partido perceber que tem voz na sua base, tirar um pouco da perspectiva de que é um partido, apesar de ser um partido nacional, sempre se reduziu a um número menor de lideranças, democratizar as questões mais importantes de discussão da vida nacional brasileira. São esses temas que estamos fazendo uma convocação de toda a base partidária, pensando em construir um mapa, cara do que o PSDB de fato é e o que pensa desses temas mais atuais para o futuro próximo da sociedade.

Todos os temas mencionados vão ter uma posição oficial do partido após o evento?

Vai anteceder o Congresso em uma semana e ajuda a tecnologia. Durante uma semana, a última de novembro, nós vamos através da internet permitir o sistema para todo e qualquer filiado do PSDB se posicionar, votar sobre cada um desses temas, o resultado dessa consulta vai ser entregue a um conjunto pessoas que vão elaborar um documento a ser aprovado ou não pelo Congresso que consolida o conjunto de posição dos seus filiados. Obviamente, o Congresso vai consolidar ouvindo os delegados, você tem todos os detentores de mandatos de deputado estadual, federal, governadores, que vão aprovar ou não o conjunto dessa consulta. Vai permitir que a partir de 2020, sobretudo as bancadas na Câmara, Senado, Assembleias e Câmara Municipais liderem uma visão que o partido pensa, visão clara dos temas mais importantes.

Vai ter unidade para tomar essas posições?

Não somos uma seita, não somos um unido, somos um partido, então é dessa heterogenia de pensamentos que temos que consolidar a posição nossa no Congresso. No sistema democrático se deve respeitar a consolidação de uma maioria. A gente espera, por isso da produção do documento, ter sensibilidade no Congresso de entender se aquele tema o quanto divide ou não o partido. Temas que fiquem claro uma posição muito preponderante, fica fácil de ser consolidado nesse documento. Outros temas que tenham dúvida do tamanho dessa percepção, o Congresso e seus delegados podem dar uma sinalização de sua posição partidária. O fato é que desde a sua fundação esse talvez seja a maior consulta pública de um partido no Brasil em relação às questões que vão ser oferecidas aos seus filiados. Em relação ao tempo, nunca é tarde para começar, o PSDB fez muito lá atrás, fomos um dos que mais entregou à sociedade brasileira, levou uma topada na última eleição de 2018, mas é um partido que continua tendo belíssimos e importantíssimos quadros da vida pública nacional e vai continuar oferecendo ideias e ações para a sociedade.

O documento vai ser definitivo?

Não vamos discutir princípios partidários, os princípios do PSDB são os mesmos da fundação. Vamos discutir temas da vida real do brasileiro, que estão postos na realidade. Discussão sobre reforma tributária, maioridade penal, questões mais ou menos polêmicas como pagamento de universidade pública para parte da estratificação social que pode fazer, estabilidade do serviço público, que hoje é prevista, mas não efetivamente posta em prática. Enquanto você tem o maior número de desemprego da história do Brasil, você tem uma preservação sistêmica do serviço público levando nesse momento de crise para outro patamar. Vamos ter temas que garantem ao PSDB, nós temos um volume de posições temáticas que garantam um nível de posições com clareza para pelo menos aos temas que parecem ser factíveis de discussão até 2022. Temos uma gama de temas, que certamente o Brasil terá tempo de ver todos até 2022, mas que nós passamos oferecer à sociedade o pensamento do partido sobre eles.

 Além disso, quais são as principais mudanças a serem feitas no PSDB?

Esse aponta para uma clareza de uma gestão mais participativa possível do conjunto do partido de posições das mais relevantes. O partido está voltando, muitos filiados tem percebido, a se comunicar através das redes, assumir posições, que muitas vezes agradam, desagradam, mas o mais importante é assumir posição. Eu citarei como primeiro movimento dessa característica disso tudo, na primeira semana de gestão o PSDB fechou questão pelo tema que foi a questão da reforma da Previdência. Um andamento do partido em relação ás suas bancadas e oferecendo os seus relatores tanto na Câmara [Samuel Moreira] quanto no Senado [Tasso Jereissati], bem como a entrega maciça dessa posição. Não quero arvorar a dizer que tenhamos qualquer posição revolucionária, mas a gente está procurando ser mais inovador e mais participativo.

Bolsonaro incorporou o papel de anti-PT e ano passado o PSDB ficou apenas em 4º lugar, onde o partido errou e como acertar nas eleições de 2020 e 2022?

O PSDB polariza desde 1994 com o PT em todas as eleições presidenciais. Começou a perder a narrativa dessa polarização no processo do impeachment. É fácil identificar alguns dos principais protagonistas do impeachment, eu como líder da minoria na época, Carlos Sampaio como líder do PSDB, Daniel Coelho, hoje líder do Cidadania, o deputado Paulo Mathias, hoje no PSL, juntos com os parceiros do Democratas Mendonça Filho e Rodrigo Maia. Essa narrativa enquanto nós achávamos que a sociedade estava identificada em nós, maioria parlamentares do PSDB, no protagonismo do impeachment, desde buscar Janaína Paschoal, Miguel Reale e oferecer pareceres em relação ao impeachment, até o meu voto final, simbólico do afastamento de Dilma. Como estávamos inseridos nisso, como parlamentares inseridos, a gente não sabia que a sociedade estava compreendendo o PSDB enquanto partido, por suas principais lideranças, assumindo posições de não abraçar o afastamento da então presidente, isso demorou para acontecer e a partir daí essa narrativa começou a ser perdida pelo PSDB. Além de muitos outros problemas, ela se consolida quando a candidatura presidencial nossa faz uma opção por fazer um embate com Jair Bolsonaro quando a nossa história é de protagonismo, enfrentamento com o PT. Não estou dizendo fazendo responsabilização do nosso candidato a presidente, longe disso, é uma narrativa que começa lá atrás de falta de posição do partido quando os seus quadros na Câmara Federal eram os principais protagonistas desse processo. Chegou ao ponto das redes sociais acharem que PT e PSDB têm um grau de comunhão política mesmo isso sendo absolutamente ficção.

Faltou Aécio Neves, Fernando Henrique Cardoso, Geraldo Alckmin e José Serra se posicionarem pelo impeachment?

Sem querer nominar, mas diria que um conjunto das mais importantes lideranças do partido.

Se ano passado o candidato tivesse sido João Doria acha que o PSDB teria resultado melhor?

Não adianta olhar para o retrovisor, não há exercício de passadologia. Tem que olhar para frente e buscar os caminhos de volta para o PSDB ser protagonista da escolha dos eleitores brasileiros na eleição de 2022, que passa objetivamente pela eleição de 2020. O que fica em relação a isso é que nós aprendemos com nossos erros e utilizamos nossos acertos.

Acredita em conquistar capitais importantes em 2020?

Queremos alcançar reeleição em Porto Alegre, São Paulo, Teresina, Manaus, Maceió e Porto Velho. Vamos cuidar das demais capitais como sendo prioridade do partido. Os municípios acima de 200 mil eleitores terão uma prioridade nacional com a participação da executiva com o acompanhamento da escolha dessas candidaturas.

Doria vai ser o candidato em 2022? Muito se fala também em Eduardo Leite.

O PSDB sempre tem um problemas nas eleições presidenciais, um problemas que muitas vezes é problema bom, problema de ter mais de uma alternativa. Enquanto muitos partidos não conseguiram buscar quadros para apresentar uma alternativa o PSDB sempre chegou a todas eleições presidenciais com mais de uma. É público o grau de obstinação, disciplina, foco do governador Doria. Há uma compreensão clara por parte dele e de todos nós de cuidar das administrações estaduais. O que inclusive está fazendo muito, um dos mais belos quadros da política nacional que é Eduardo Leite, absolutamente focado para os desafios que tem em um estado tão importante, mesmo com o tamanho de dificuldades, que é o Rio Grande do Sul.

O PSDB não apoiou formalmente Bolsonaro no 2º turno, mas o principal líder do partido hoje encampou a campanha BolsoDoria. Como é a relação entre PSDB e Bolsonaro hoje?

O movimento do segundo turno foi um movimento que mostrava que nós não éramos PT, esse é o movimento do governador João Doria, esse foi o movimento meu em Pernambuco e de grande parte do partido que assumiu o enfrentamento ao PT ao longo dos anos. Se fosse Bolsonaro ou quem fosse era uma escolha política para deixar claro que nós não tínhamos nada a ver com a posição do que pensa o PT de projeto de poder para o país. Logo depois da eleição e no início do governo foi ficando claro que fora questões de ordem econômica, muitas questões de posicionamentos, costumes e de intolerância não coadunam com a posição de formação política do PSDB.

Muitos tucanos estão tocando ou tocaram as reformas econômicas de Bolsonaro, Rogério Marinho, Samuel Moreira, Tasso Jereissati, Luiz Carlos Hauly, Roberto Rocha... Há identidade entre o PSDB e o que atual gestão defende hoje na economia?

Na pauta econômica temos praticamente a mesma pauta. O governo Bolsonaro inclusive da sequência a gestão econômica do governo Temer, que tinha sido em sintonia com o governo do PSDB. Há uma ponte entre a gestão dos últimos anos do ex-presidente Lula, que do ponto de vista econômico respeitou todos os movimentos de estabilidade da moeda iniciado pelo governo do PSDB. Desenho do desequilíbrio fiscal toma um tamanho exponencial no governo da ex-presidente Dilma, é onde o país vai para bancarrota. O governo Temer retoma toda uma pauta de ordem macroeconômica que foi gestacionada na administração do PSDB. Paulo Guedes dá praticamente sequência a essa agenda do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles. No campo da economia, ajudar o país a gerar emprego, renda e redução das desigualdades sociais com o crescimento da economia é pauta nossa e do governo.

O ministro Paulo Guedes tem feito críticas ao PSDB.

Recalque das diferenças dos economistas tucanos no Rio, isso passa [tanto Paulo Guedes quanto André Lara Resende e Persio Arida, economistas responsáveis pelo Plano Real, ensinaram na mesma época na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro]. O mau humor do ministro Guedes não vai gerar barreiras em relação a nossa crença do que é necessário para ajudar o país se desenvolver do ponto de vista econômico.

Como tem acompanhado a reforma tributária?

O PSDB é contrário a qualquer criação de impostos. Há um crescimento vegetativo do custeio da economia brasileira que tem que ser combatido com reforma administrativa, limitar qual o tamanho do custo da máquina que a população suporta, o preço dessa máquina e que ela entregue as coisas mais importantes, saúde, educação e segurança e seja mais eficiente na administração das atividades meio que custam caro à sociedade e entregam pouco. Qualquer exercício da necessidade de aumentar tributo será combatido pelo PSDB pela visão de que o governo tem que cortar o que for necessário. A reforma tributária tem alguns componentes, princípios que precisa seguir,tempo de transição para adequação, encontrar uma equação onde entre os estados haja a menor perda possível de qualquer ente da federação e torne o sistema tributário extremamente simplificado. Não há nenhuma expectativa nossa que haja redução de carga tributária, mas que uma empresa em vez de 2500 horas de gastos para pagar tributo, possa ter uma redução exponencial nesse preço, dispêndio e burrice burocrática e permitir maior dinâmica da economia. Não há como o país seguir sem uma ampla reforma administrativa, em relação ao custeio do serviço público brasileiro.

Tem expectativa da reforma tributária ser votada esse ano ainda?

A reforma tributária começa com algo que não está claro. Ela é feita pela Casa Legislativa que a inicia, no momento que tem duas tramitando nas duas casas não vai ser no par ou ímpar que isso se resolve. Enquanto não ficar claro para a sociedade, um pacto claro entre as duas casas nacionais de quem vai ser o protagonista, quem vai começar? Quem é a Casa revisora? Não sabemos no que isso vai dar. Antes da questão do tributo, qual a reforma tributária, se é a do Hauly, do Appy, a do Guedes, se é uma quarta que possa surgir, a pergunta antes é de forma, quem vai ser protagonista? Enquanto houver esse discurso de que vai ser compartilhado, não vai ficar claro, porque política não se resolve no par ou ímpar.

Tem conversado com presidentes de outros partidos sobre a eleição de 2022? PSDB pode compor com quais?

Temos alianças que o PSDB sempre integra a exemplo do Democratas. Temos uma relação constante de diálogo, obviamente que há aqui e acolá problemas regionais que nós sabemos resolver. Mas temos por exemplo no Democratas a parceria em São Paulo com o vice-governador Rodrigo Garcia, um dos melhores homens da vida pública nacional. A nossa prioridade na Bahia, nossa aliança com ACM Neto [presidente nacional do DEM e prefeito de Salvador], uma demonstração da nossa relação quase que histórica com o Democratas e fazemos questão de cuidá-la de forma muito próxima. Temos diálogo constante com muitos outros partidos políticos. Acho que vivemos um momento muito importante com a ascensão do deputado Baleia Rossi ao MDB. O MDB pelo seu tamanho e sua história política será um partido fundamental para um diálogo de centro da política nacional e eu pessoalmente enxergo o MDB como um importante ator, dá um grau de racionalidade ao enfrentamento político da vida pública nacional. O MDB continua sendo protagonista desse diálogo, lógico respeitando todos os outros parceiros a exemplo do PSD que se transformou também em um importante partido político conduzido pelo ex-prefeito [de São Paulo] Gilberto Kassab.

O PSL e Jair Bolsonaro vivem uma briga hoje, como avalia isso?

Essa é uma questão interna de outro partido que prefiro não fazer comentários. A única coisa que me cabe como cidadão é que me parece uma relação extremamente descortês em relação ao deputado Bivar que foi um importante fiador da chegada do presidente da República no PSL, no mais é um assunto interno do partido.

Acha que Alexandre Frota teria entrado no PSDB em outros tempos?

O que eu posso melhor dizer em relação ao deputado Alexandre Frota é o fato de receber aqui sempre toda bancada dos deputados federais e o comentário dos que o não conheciam é sempre uma grata surpresa. Parlamentar disciplinado, que estuda as matérias que vão em votação, tem sido extremamente agregador do conjunto interno da bancada. Se nós deixássemos a nossa cultura, algo da natureza humana que é uma condição preconceituosa, eu diria que é alguém que está contribuindo mais do que com o partido, mas com o ambiente do Congresso Nacional.

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