Lula: “Quanto mais eles me atacam, mais cresce a minha relação com o povo”

Veja vídeo com os principais momentos do discurso de Lula neste sábado (7):


Num discurso de quase uma hora, encerrado por volta das 13h deste sábado (7), o ex-presidente Lula conclamou as forças que o apoiam a fazerem manifestações, greves, passeatas, ocupações no campo e na cidade e a bloquearem vias públicas contra a sua prisão. Ele reafirmou sua inocência e voltou a atribuir sua condenação judicial a um processo de perseguição política, envolvendo grandes veículos de mídia, o Judiciário, o Ministério Público e a Polícia Federal.

Sempre muito aplaudido pelo público que foi vê-lo, em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, local onde há cinco décadas iniciou-se na vida política, acrescentou que a intenção das ações judiciais e midiáticas que enfrenta é calar sua voz, impedir que seja candidato a presidente e que ande pelo país. Mas nada disso adiantará, observou, endurecendo o tom: "Tem milhões de Lulas para andar neste país. O meu sonho não é mais meu, é de todos vocês. Eu não sou mais um ser humano, eu sou uma ideia. Eles têm que saber que a morte de um combatente não para a revolução".

"Quanto mais eles me atacam, mais cresce a minha relação com o povo brasileiro", disse. "Quem cometeu crime foi o delegado que me acusou, o juiz que me condenou e o Ministério Público, que foi leviano". Chamou o juiz Sérgio Moro e os desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), que o condenaram, para um debate público sobre o processo do triplex. Condenou os ministros do Supremo Tribunal Federal que antecipam votos pela imprensa ou fazem manifestações políticas. E, acusando a Justiça de se curvar às pressões das grandes redes de televisão e da revista Veja, completou: "Quem quiser votar de acordo com a opinião pública que largue a toga, escolha um partido político e vá ser candidato. Acredito na Justiça, mas na Justiça baseada em provas".

Segundo Lula, sua prisão é necessária para aprofundar o golpe iniciado com o afastamento de Dilma Rousseff, de maneira a impedir a continuidade de políticas sociais em favor da maioria da população e a eliminar a possibilidade de ele voltar à Presidência da República: "Pobre, na cabeça deles, não pode ter direito. Fico imaginando a tesão da Veja colocando a foto do Lula preso. Fico imaginando a tesão da Globo colocando a minha foto presa [sic]. Eles vão ter orgasmo múltiplo".

Lula foi para o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC na quinta-feira (5), assim que foi informado sobre a ordem de prisão do juiz Sérgio Moro.  O prazo para que o petista se apresentasse espontaneamente se esgotou ontem, às 17h. Rodeado de políticos, líderes sindicais e artistas, ele discursou após a missa em homenagem à ex-primeira dama, Marisa Letícia, que faria 68 anos hoje.

Durante o seu pronunciamento, várias vezes apontou os pré-candidatos a presidente Guilherme Boulos (Psol) e Manuela D'Ávila (PCdoB) como jovens capazes de levar adiante o sonho de voltar a levar os trabalhadores ao poder. Curiosamente, fez apenas uma breve referência à presença no palanque do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, que é apontado como possível candidato do PT a presidente, em substituição a Lula (cuja candidatura deverá ser barrada pela Lei da Ficha Limpa).

Manifestantes a favor de Lula se aglomeram desde quinta-feira em frente ao prédio do sindicato. Lula acompanhou a missa desde o início, às 10h40 da manhã. Ele vou culpar o cerco judicial e midiático pela morte de Marisa Letícia. "A antecipação da morte da Marisa foi a sacanagem que a imprensa e o Ministério Público fizeram contra ela", afirmou. Conforme o ex-presidente, o noticiário negativo contra ele já soma mais de 70 horas de "Jornal Nacional" e mais de 70 capas de revistas semanais.

 

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