Comissão internacional cobra providências sobre invasão de terra indígena

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) mostrou preocupação com a invasão de um grupo de garimpeiros à terra indígena Waiãpi, localiza em Pedra Branca do Amapari, no Amapá. Conforme revelou o Congresso em Foco, cinquenta homens armados tomaram a área de demarcação entre sexta-feira (26) e sábado (27), gerando um clima de conflitos na região. Um cacique foi morto pelos garimpeiros.

Acuados, os índios se refugiaram na comunidade vizinha Aramirã. Além disso, pediram a intervenção da Polícia Federal (PF) e ameaçam atacar os invasores, caso não sejam retirados da área pelas autoridades. O Batalhão de Operações Especiais (Bope) foi deslocado para controlar a situação.

Em nota, a Fundação Nacional do Índio (Funai) afirmou que a situação é delicada. “Com base nas informações coletadas pela equipe em campo, podemos concluir que a presença de invasores é real e que o clima de tensão e exaltação na região é alto”, relatou a Funai.

Acionado pelas lideranças indígenas da região, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) disse que os índios se preparam, na comunidade vizinha Aramirã, para expulsar os 50 garimpeiros instalados na aldeia.

O confronto ocorre em meio ao crescimento da expansão dos focos de garimpo ilegal na região Norte, assim como o aumento do desmatamento, conforme constatou o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O presidente Jair Bolsonaro defende a exploração de minério em áreas indígenas e ambientais, aumentando a histórica tensão entre garimpeiros e indígenas. “Quem vive do crime se sente protegido em poder invadir terra indígena”, prevê Randolfe.

Em um vídeo distribuído em grupos das redes sociais, o cantor Caetano Veloso apelou às autoridades brasileiras para que atendam ao chamado de socorro dos índios Waiãpi. “Eu peço às autoridades brasileiras que, em nome da dignidade do Brasil e do mundo, ouçam esse grito”, afirmou.

 

Acompanhamento dos fatos

 

O Ministério Público Federal do Amapá informou que está acompanhando o desenrolar da invasão de garimpeiros nas terras indígenas, junto com a Polícia Federal (PF) e representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai).

 

Nota de esclarecimento do Conselho das Aldeias Wajãpi

 

Nós do Conselho das Aldeias Wajãpi – Apina queremos divulgar as informações que temos até agora sobre a invasão da Terra Indígena Wajãpi.

2a feira, dia 22/07, no final da tarde, o chefe Emyra Wajãpi foi morto de forma violenta na região da sua aldeia Waseity, próxima à aldeia Mariry. A morte não foi testemunhada por nenhum Wajãpi e só foi percebida e divulgada para todas as aldeias na manhã do dia seguinte (3a feira, dia 23). Nos dias seguintes, parentes examinaram o local e encontraram rastros e outros sinais de que a morte foi causada por pessoas não-indígenas, de fora da Terra Indígena.

6a feira, dia 26, os Wajãpi da aldeia Yvytotõ, que fica na mesma região, encontraram um grupo de não-índios armados nos arredores da aldeia e avisaram as demais aldeias pelo rádio. À noite, os invasores entraram na aldeia e se instalaram em uma das casas, ameaçando os moradores. No dia seguinte, os moradores do Yvytotõ fugiram com medo para outra aldeia na mesma região (aldeia Mariry). No dia 26 à noite nós informamos a Funai e o MPF sobre a invasão e pedimos para a PF ser acionada. Na madrugada de sexta para sábado, moradores da aldeia Karapijuty avistaram um invasor perto de sua aldeia.

No dia 27, sábado, nós começamos a divulgar a notícia para nossos aliados, na tentativa de apressar a vinda da Polícia Federal. Um grupo de guerreiros wajãpi de outras regiões da Terra Indígena foi até a região do Mariry para dar apoio aos moradores de lá enquanto a Polícia Federal não chegasse. No dia 27 à tarde, representantes da Funai chegaram à TIW e foram até a aldeia Jakare entrevistar parentes do chefe morto, que se deslocaram até lá. Os representantes da Funai voltaram para Macapá para acionar a Polícia Federal. Os guerreiros wajãpi ficaram de guarda próximo ao local onde os invasores se encontram e nas aldeias que ficam na rota de saída da Terra Indígena. Durante a noite, foram ouvidos tiros na região da aldeia Jakare, junto à BR 210, onde não havia nenhum Wajãpi.

No dia 28 pela manhã um grupo de policiais federais e do BOPE chegou à TIW e se dirigiu ao local para prender os invasores.

Isso é o que sabemos até agora. Quando tivermos mais informações faremos outro documento para divulgação.

 

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