Brasil precisa fechar espaço aéreo contra nova onda de covid, diz Nicolelis. Veja entrevista em vídeo

Um dos cientistas brasileiros mais reconhecidos internacionalmente, o médico Miguel Nicolelis projetou, em julho, que o número de mortes por covid-19 no Brasil, então cerca de 90 mil, deveria dobrar até o fim do ano. A menos de dois meses de 2021, o Brasil já passa dos 160 mil óbitos decorrentes do coronavírus e caminha para confirmar a estimativa feita por ele. Em entrevista exclusiva em vídeo ao Congresso em Foco, Nicolelis diz que o Brasil repete erros primários na prevenção ao vírus (assista à íntegra da entrevista acima).

Para o neurocientista, o país deveria fechar seu espaço aéreo imediatamente para evitar o avanço de uma segunda onda do vírus, o que deve se agravar, segundo o cientista, com as eleições e a chega das festas de fim de ano. Nicolelis acredita que, além de aumentar assustadoramente o número de casos e óbitos, uma nova onda de covid-19 pode tornar inevitável a decretação de lockdown – versão mais radical de confinamento –, a exemplo do que tem ocorrido na Europa.

“Faltou uma estratégia nacional para deter a invasão do vírus. Nossos aeroportos ficaram abertos por um mês. Erros de manejo. Permitiu-se que o vírus se espalhasse pelas rodovias. Se tivessem fechado o espaço aéreo, feito lockdown, controle de veículos, testes em massa, poderíamos ter achatado a curva”, observa o cientista. “Vamos cometer os mesmos erros”, acrescenta diante das atuais perspectivas.

Na entrevista, Nicolelis critica a manutenção das eleições em 2020 e a politização da vacina no país. De acordo com o professor da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, a vacina deve ser desenvolvida até o fim do primeiro semestre do próximo ano. O cientista considera que a política externa adotada pelo Brasil é uma ameaça à chegada do imunizante ao país, com a reação de outras nações ao discurso negacionista do governo brasileiro e de restrições à China.

Para Nicolelis, a pressão de setores econômicos contra a política de isolamento social foi determinante para que a pandemia alcançasse a atual dimensão. “As vidas que poderiam ter sido poupadas foram colocadas em segundo plano. Só que sem gente não existe economia. “A ortodoxia econômica está levando a humanidade a um precipício. A pandemia é só um exemplo das fragilidades dos movimentos de crescimento sem limites”, afirma.

O neurocientista acredita que a pandemia só não causou mais estragos no Brasil por causa da eficiência e abrangência do Sistema Único de Saúde (SUS). “O SUS foi o grande herói brasileiro, mas segue sem ser prestigiado como deveria ser”, considera. “Foi uma grande barreira que impediu que a tragédia no Brasil fosse ainda maior”, ressalta, lembrando que países que não têm um sistema público universal, como os Estados Unidos, têm sofrido mais.

Veja os números atualizados da covid no Brasil, município por município

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