Osmar Terra nega gabinete paralelo e tenta explicar imunidade de rebanho

A CPI da Covid retomou a agenda da semana nesta terça-feira (22) com foco nas investigações do suposto “gabinete paralelo” - grupo de aconselhamento do presidente Jair Bolsonaro com diretrizes diferentes do Ministério da Saúde sobre a gestão da pandemia de covid-19. O deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) foi ouvido na condição de convidado. Por reiteradas vezes, o parlamentar negou  a existência desse grupo de aconselhamento  e negou que tivesse defendido o incentivo a uma imunização de rebanho para enfrentar a pandemia, mas que isso seria apenas uma consequência natural de qualquer pandemia.

O deputado disse que nunca aconselhou o presidente sobre as questões investigadas no colegiado, dentre as quais a ausência de medidas de prevenção à covid-19 como forma de se atingir uma imunidade de rebanho. Essa imunidade coletiva ocorre quando determinado percentual da população - superior aos 50% - adquire anticorpos contra o vírus por já terem contraído a doença e dessa forma se interrompe a transmissão.

Terra também negou ter contato com outros acusados de participarem do gabinete paralelo como o vereador Carlos Bolsonaro, o ex-assessor da Presidência Arthur Weintraub e o empresário Carlos Wizard. Já com o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, o deputado reconheceu ter falado pessoalmente com ele em três ocasiões. 

O parlamentar foi o primeiro integrante da Câmara dos Deputados a comparecer ao colegiado.

Osmar Terra é médico de formação e foi ministro da Cidadania no início do governo de Jair Bolsonaro.

Confira alguns momentos da CPI nesta terça:

Durante a CPI os parlamentares de oposição resgataram declarações públicas de Terra sobre o combate da covid-19. Um dos episódio lembrados pelos senadores foi quando o deputado defendeu a imunidade de rebanho e remédios sem eficácia comprovada para o tratamento do novo coronavírus.

Terra também chegou a fazer diversas manifestações negacionistas sobre a covid-19, entre elas previsões sobre o fim da pandemia. Na avaliação dele, tudo estaria resolvido em dois meses. 

Negacionismo

Durante sua fala inicial, o deputado voltou a defender argumentos negacionistas. Também disse que, em outros países, os presidentes tiveram liberdade para gerir a pandemia, diferentemente do Brasil. Osmar Terra voltou a usar argumento falso de que o STF tirou a responsabilidade do governo federal para transferir responsabilidades na condução da crise da pandemia para governadores e prefeitos.

Apesar disso, disse: "Não sou negacionista, mas temos que ver qual a melhor forma de salvar vidas".

A sessão foi marcada desde o início por debates tensos entre membros da comissão e o convidado. Senadores governistas, como Luis Carlos Heinze (PP-RS), defenderam o número de pessoas recuperadas pela covid-19, o que gerou debate com o vice-presidente do colegiado, Randolfe Rodrigues(Rede-AP).

Acusado de integrar o "gabinete paralelo", o deputado disse não saber da existência do grupo de aconselhamento do presidente Bolsonaro.

Terra também admitiu que mesmo depois de tomar cloroquina, teve 80% dos pulmões comprometidos pela covid-19. O deputado é um dos principais defensores do remédio sem ineficácia comprovada para o tratamento da covid-19. "Eu tomei e tomaria de novo", disse.

Durante a sessão, o senador Rogério Carvalho (PT-SE) afirmou que o governo fez uma desorganização do controle da pandemia e a única medida adotada foi a cloroquina, droga inclusa no tratamento precoce defendida pelo presidente.

Requerimentos

No início da sessão, os senadores referendaram uma lista de 14 investigados pelo colegiado. A base governista tentou excluir do rol de investigados o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, após requerimento apresentado pelo senador Luis Carlos Heinze.

Entre eles o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, o atual chefe da pasta, Marcelo Queiroga. O ex-chefe da comunicação do governo, Fábio Wajngarten, as médicas Mayra Pinheiro e Nise Yamaguchi e o ex-chanceler Ernesto Araújo.

Também constam na lista de investigados: o ex-assessor do Ministério da Saúde Elcio Franco, o conselheiro do presidente Arthur Weintraub, o empresário Carlos Wizard, Franciele Fantinato, Helio Neto, Marcellus Campelo, Paulo Marinho Zanotto e Luciano Dias Azevedo.

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