Senado contraria recomendações médicas em novos protocolos para a covid-19

O Senado Federal divulgou no último dia 18 novas normas redefinindo procedimentos de prevenção da transmissão da covid-19 nas instalações da Casa. O documento traz orientações para que os servidores retornem ao trabalho presencial. Entre as determinações está a regra que define como "imunizados" os vacinados e também aqueles que já foram infectados pela doença.

Confira a íntegra:

Estes trabalhadores deverão voltar a ocupar os gabinetes após "comunicar ao Senado, no menor prazo possível, a aquisição da condição de imunizado", aponta o documento.

O Congresso em Foco procurou o Senado, que afirmou que o ato define que servidores e colaboradores que estiverem imunizados contra a covid-19 deverão informar à chefia imediata. "Neste caso, a imunização refere-se ao plano nacional de vacinação contra a doença".

Já o Ato da Diretoria-Geral 3/2021 regulamenta o que é necessário para que servidores e colaboradores possam ser considerados imunizados. "Poderão ser considerados imunizados, após avaliação médica individualizada, aqueles que tiveram infecção pregressa recente pelo coronavírus e apresentarem anticorpos neutralizantes detectáveis", diz o Senado.

A Casa afirma ainda que a rotina interna do serviço médico do Senado será recepcionar um relatório médico da equipe que cuidou do paciente, além de exame que demonstre anticorpos neutralizantes recentes. "Cada caso será avaliado particularmente e haverá reavaliações periódicas. O simples histórico de infecção pregressa não será considerado como tendo alguma imunidade automaticamente. Reiteramos que todos serão avaliados individualmente pela junta médica após terem incluído os relatórios e exames no sistema".

O Congresso em Foco também procurou o Ministério da Saúde para saber se há algum protocolo ou indicação sobre imunizados por infecção prévia, mas ainda não teve retorno. Em nota, a pasta afirmou que "não é possível afirmar que indivíduos que já tiveram covid-19 estão imunes à doença, pois casos de reinfecção já foram descritos em vários países, inclusive no Brasil".

Recentemente a Nature, uma das revistas científicas mais importantes do mundo, divulgou um artigo realizado com profissionais de saúde do Reino Unido, onde afirmam que reinfecções de covid-19 são incomuns, mas podem ajudar o vírus a se espalhar.

Os dados sugerem que a imunidade natural pode ser tão eficaz quanto a vacinação, por pelo menos, cinco meses. No entanto, pesquisadores também descobriram que pessoas que são reinfectadas podem carregar altos níveis do vírus no nariz e na garganta, mesmo quando não apresentam sintomas.

"Essas cargas virais têm sido associadas a um alto risco de transmissão do vírus a outras pessoas", disse Susan Hopkins, consultora médica sênior do Public Health England em Londres. Portanto, a recomendação das autoridades de saúde é de que pessoas que já foram infectadas pelo coronavírus também cumpram com os protocolos sanitários para combater a transmissão da doença, como o uso obrigatório de máscara e o afastamento social.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) é "encorajador" que dados disponíveis sugiram que a maioria das pessoas se recuperam de covid-19 e que desenvolvem uma resposta imunológica que fornece "pelo menos algum período de proteção contra a reinfecção – embora ainda estejamos aprendendo o quão forte essa proteção é e quanto tempo ela dura".

Dessa forma, diz a OMS, "com as informações disponíveis até o momento, não há evidências suficientes de que as pessoas que se recuperaram da covid-19 tenham gerado anticorpos neutralizantes que possam protegê-las de uma reinfecção".

Reportagem do Metrópoles desta sexta-feira (26) mostra que a enfermeira Priscila Veríssimo, de 35 anos, morreu devido à complicações de covid-19 após se negar a tomar a vacina Coronavac.

Apoiadora de Jair Bolsonaro, a profissional fazia parte do grupo prioritário para a vacina, no entanto, se recusou a ser imunizada porque alegou já ter sido infectada pelo vírus e que assim, teria se curado. Priscila achava que não poderia sofrer uma recontaminação. Ao mesmo tempo, considerava que a Coronavac não era cientificamente comprovada.

De acordo com as orientações do Senado, devem continuar em regime de teletrabalho servidores maiores de 60 anos, gestantes e portadores de comorbidades, que compõem risco de aumento de mortalidade pelo novo coronavírus.

Nesta sexta-feira (26) o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB) antecipou o lockdown, que iniciaria na segunda-feira (1º). O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), proibiu a entrada e circulação de visitantes nas dependências da Casa durante o decreto de emergência de saúde pública.

No início do mês, quando ocorreu a eleição para presidência da Câmara e do Senado, o Congresso Nacional havia registrado ao menos 35 casos de covid-19 entre servidores e trabalhadores. Na época, foram 27 identificados na Câmara dos Deputados e oito no Senado. Nesta quinta-feira (25), no entanto, as Casas se recusaram a atualizar o número de contaminados.

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