Seguindo isolamento, Argentina tem poucas mortes e presidente bem avaliado

O presidente argentino Alberto Fernández anunciou nesta segunda-feira (11) a prorrogação do isolamento social no país até o dia 24 de maio, com o objetivo de conter o avanço do coronavírus. A região de Buenos Aires permanece na quarentena em fase 3, mais restrita, enquanto o restante do país caminha para a fase 4, em que novas atividades passarão a ser permitidas. Desde o início da pandemia, Fernández aderiu às recomendações das autoridades sanitárias e, mesmo com medidas que podem parecer impopulares, tem visto sua popularidade crescer.

>Veja a íntegra dos depoimentos de Augusto Heleno, Braga Netto e Luiz Eduardo Ramos à PF

A Argentina e o Paraguai são considerados exemplos bem sucedidos na resposta ao coronavírus na América do Sul pelo médico infectologista da Fiocruz e da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), Julio Croda, que atuou como diretor do departamento de Imunizações e Doenças Transmissíveis, do Ministério da Saúde, durante a gestão do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta. 

O Brasil, por outro lado, segundo os dados do Worldometers, registra mais casos confirmados de coronavírus do que todos os países da América do Sul juntos e o dobro dos óbitos dos registrados nos outros países sul americanos juntos.

Ações do governo argentino

Desde o início da pandemia, a Argentina foi um dos primeiros países da América do Sul a decretar medidas rígidas de isolamento social. No início de abril, o governo anunciou medidas econômicas em que, por meio de decreto, proibiu demissões sem justa causa durante 60 dias. Além disso, o governo criou de auxílios emergenciais para trabalhadores e empresas. Segundo o jornal El Clarín, foram cerca de 380 bilhões de pesos destinados como suporte a pequenas e médias empresas no país. Segundo o jornal O Globo, a popularidade do presidente argentino subiu de 50% para 67% após as medidas durante a pandemia.

Julio Croda aponta a situação do Paraguai e da Argentina como muito mais confortáveis do que a do Brasil. Para ele, esses países sairão muito mais rápido da crise do que o Brasil. “Nos primeiros casos já foram instituídas medidas de distanciamento social, de tentar identificar todos os casos e fechamento de fronteiras. Quando são feitas as medidas adequadas no início da epidemia, tem um impacto enorme, porque você consegue preparar o seu sistema de saúde, e além disso, você consegue controlar melhor a doença”, avalia.

No Brasil, segundo a análise do médico, falta apoio do governo Federal brasileiro para manutenção das ações de isolamento social e isso desmobiliza a população. Para ele, não existe uma dualidade entre salvar vidas ou a economia, como muitos defendem. O médico explica que a medida mais eficaz para a recuperação mais rápida da economia é o isolamento social. “Existem modelos na própria América do Sul que deram certo. A gente não está falando de país desenvolvido da Europa, da Ásia. Nós estamos falando dos nossos irmãos que estão fazendo um trabalho bem mais adequado.”

O especialista aponta que o discurso de Jair Bolsonaro de minimizar os efeitos da doença enfraquece as medidas de isolamento social. “Esse é um reflexo da não mobilização da população justamente por conta deste discurso politizado da pandemia, agora a pandemia virou uma discussão política e não uma discussão técnica do que tem que ser feito”, aponta.

Popularidade em alta

As medidas tomadas pelo presidente argentino, Alberto Fernandez, têm refletido diretamente na sua popularidade. Ele é citado como um líderes mundiais que tiveram um aumento considerável da sua popularidade durante a gestão da crise. 

O jornal O Globo, cita 6 líderes mundiais que aumentaram os índices de popularidade durante a pandemia em mais de 10 pontos percentuais. Entre eles estão a chanceler alemã Angela Merkel(14), os primeiros-ministros britânico, Boris Johnson(24); italiano, Giuseppe Conte(20); e o canadense, Justin Trudeau(15); os presidentes de países vizinhos o argentino, Alberto Fernández(17); e o chileno, Sebastián Piñera(14).

Analistas argentinos, vinculam a melhora da imagem público do presidente às ações tomadas diante da pandemia. Segundo Shila Vilker, diretora do instituto de pesquisa Trespuntozero, o presidente argentino construiu a sua liderança durante o momento da quarentena. “Eu acho que o balanço para o presidente termina bem, pois nestes 30 ou 40 dias de quarentena, ele foi capaz de construir a sua liderança e uma ligação com os cidadãos”, disse à agência Reuters.

>Ao vivo: Congresso vota créditos e aumento para PM e bombeiro do DF

 

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!