Remédio para lúpus some das farmácias após informação de que combateria covid-19

Após o presidente norte-americano Donald Trump dizer publicamente na última quinta-feira (19) que em estudos realizados o medicamento Hidroxicloroquina teve “resultados prévios muito encorajadores” contra o novo coronavírus (covid-19), pacientes brasileiros que dependem do uso contínuo do medicamento para o tratamento de outras doenças relatam dificuldades de encontrá-lo nas farmácias. O Ministério da Saúde reforça que os estudos "ainda são inconclusivos" e a Anvisa pede para pessoas que não dependem do remédio não o estocarem.

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Alex Teixeira, morador da Região Metropolitana de Curitiba, relata que nesta sexta (20) ele e a esposa Kassiane, que depende do Hidroxicloroquina - conhecido comercialmente como Reuquinol - para o tratamento da doença lúpus, procuraram, sem êxito, pelo medicamento nas farmácias da região e das cidades vizinhas. "A gente foi atrás agora da medicação, nós percorremos todas as farmácias da cidade, entramos em contato com todo mundo. Mesmo em farmácias de bairro e de manipulação, não conseguimos encontrar em nenhum lugar", conta Alex.

Ele também chama a atenção para a desinformação que ocorre neste momento de crise e desabastecimento nos comércios.  "Algumas farmácias informam que o governo mandou recolher alguns medicamentos e que não vai mais ser possível fazer a manipulação, e que o governo vai disponibilizar depois".

O Hidroxicloroquina é vendido na farmácia sem necessidade de prescrição médica e além do tratamento da Lúpus, também é utilizado para tratar pacientes com doenças reumatológicas, como a artrite reumatóide.

Kassiane está sem o remédio desde a última segunda (16). Ele é a única forma de manter a doença controlada. "O medicamente auxilia na prevenção das dores nas articulações e impede que a doença fique ativa. Então, a falta do medicamento faz com que o organismo fique todo desprotegido", explica.

A curitibana diz que o desabastecimento do remédio nas farmácias não é exclusivo na cidade onde mora."Eu participo de um grupo na rede social de portadores de lúpus e em vários lugares do Brasil as pessoas também estão com a mesma dificuldade: não o encontram", compartilha.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) esclarece que pesquisas chinesas apresentaram resultados " promissores", mas que eles não comprovam a eficácia do medicamento para tratar o covid-19. "A Anvisa reforça que, para a inclusão de indicações terapêuticas novas em medicamentos, é necessário conduzir estudos clínicos em uma amostra representativa de seres humanos, demonstrando a segurança e a eficácia para o uso pretendido", diz nota técnica divulgada na última quinta (19).

A agência reguladora também informa que a automedicação é um grave risco à saúde e conscientiza para que pessoas que não dependem do remédio não o estocarem:

O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) também alerta para os perigos da automedicação com o uso do Cloroquina, remédio derivado do Hidroxicloroquina.

Conforme o Ministério da Saúde "há estudos promissores em relação aos benefícios do uso em pacientes com coronavírus. Contudo, ainda são inconclusivos". A pasta também enfatiza que até o momento "não há nenhum medicamento, substância, vitamina, alimento específico ou vacina que possa prevenir a infecção pelo coronavírus".

Sobre as farmácias que alegam que o governo brasileiro ordenou o recolhimento do Hidroxicloroquina, o Ministério diz que "não enviou comunicado a laboratórios solicitando retenção de medicamentos".

Leia a íntegra da nota do Ministério da Saúde:

"O Ministério da Saúde informa que não enviou comunicado a laboratórios solicitando retenção de medicamentos. Em relação aos fármacos da classe terapêutica da cloroquina e a hidroxicloroquina, já disponibilizados no SUS para tratamento de outras doenças, há estudos promissores em relação aos benefícios do uso em pacientes com coronavírus. Contudo, ainda são inconclusivos. Cabe esclarecer que a Organização Mundial da Saúde irá promover estudo multicêntrico com alguns medicamentos possivelmente promissores. Em se comprovando benefícios de medicamentos desta classe terapêutica ou quaisquer outros, o Ministério da Saúde assegurará a disponibilização no país para todos os cidadãos que precisarem.

Até o momento, o Ministério da Saúde esclarece que não há nenhum medicamento, substância, vitamina, alimento específico ou vacina que possa prevenir a infecção pelo coronavírus. Embora os dados sejam promissores, os estudos ainda são insuficientes."

Leia a íntegra da nota técnica da Anvisa

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