Pazuello diz que falta de “tratamento precoce” influenciou colapso em Manaus

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou na noite desta quinta-feira (14) que a falta da adoção do "tratamento precoce" impactou no colapso enfrentado por Manaus. A declaração foi feita na live semanal realizada pelo presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais.

Bolsonaro, Pazuello, e o próprio Ministério da Saúde defendem o que chamam de "tratamento precoce", incentivando a população a tomar medicamentos ainda sem eficácia comprova contra a covid-19.

No início da semana, o ministro da Saúde esteve em Manaus e pressionou a prefeitura a receitar o uso dos medicamentos apelidados de "kit covid". Os deputados federais Alexandre Padilha (PT-SP) e Marcelo Freixo (PSOL-RJ) acionaram o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Ministério Público, respectivamente, contra a pressão feita pelo chefe da pasta.

Em todo o Amazonas, segundo o governo estadual, 91,2% das UTIs exclusivas para pessoa com o novo coronavírus estão ocupadas. Nos hospitais, falta oxigênio para auxiliar na respiração dos pacientes.

Pazuello afirmou que os próximos seis dias devem ser os mais críticos para Manaus. A capital concentra 93% das mortes por covid-19 do Amazonas e, como reconheceu o ministro, vive um "colapso".

De acordo com Pazuello, Manaus tem uma da piores infraestruturas hospitalares do país e que o colapso no sistema se dá, também, pela "alta letalidade" da doença.

O ministro disse que a pasta está enviando equipamentos, insumos e medicamentos, mas afirmou que a responsabilidade principal é do governo estadual e da prefeitura: "A responsabilidade continua deles, mas estamos apoiando em todos os aspectos."

Nesta quinta o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), decretou toque de recolher em todo o estado, uma operação para conseguir abastecer as unidades hospitalares com oxigênio, e a transferência de pacientes para hospitais federais de outros estados.

Segundo o governador, só na última terça-feira (12), a demanda por oxigênio na rede pública aumentou mais de onde vezes na comparação com a média diária, passando de 5 mil para 58 mil metros cúbicos.

Na transmissão ao vivo, o ministro da Saúde disse que 30 mil metros cúbicos de oxigênio devem ser enviados a Manaus por meio de seis aeronaves. Segundo ele, duas já tinham decolado rumo ao estado nesta quinta.

Considerado um "especialista em logística" pelo governo federal, Pazuello ressaltou as dificuldades de acesso a Manaus.

"Manaus é uma ilha no meio da floresta Amazônica, e esquecemos que Manaus fica a três horas de voo de Brasília. Este é desafio logístico que temos no nosso país. Manaus, pela posição estratégica, é preciosidade, mas há um custo para isso. Um custo logístico, humano, e qualquer coisa que precise depende de avião", disse.

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