Médico deixou governo para não ser “responsável por número importante de óbitos”

O médico infectologista Julio Croda pediu demissão, no fim de março, do cargo de diretor do departamento de Imunizações e Doenças Transmissíveis, do Ministério da Saúde. O que motivou a saída do governo foi o discurso  contra o isolamento social que tem sido promovido pelo presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores. “Não quis ser responsável por essa recomendação equivocada contra o isolamento social e por um número importante de óbitos”, afirmou o médico em entrevista ao Estadão.

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Julio, que é professor na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz, disse que em determinado momento o país a apresentar bons índices de isolamento social e contava com o apoio da população para as medidas. Entretanto, o discurso de Bolsonaro reverteu esse quadro

“Nas últimas duas semanas, houve redução do isolamento. Esse embate sobre a questão do isolamento pode ter refletido. Acho que não é só o presidente da República. Ele representa um grupo de pessoas que pensam diferente. O futuro vai nos mostrar quem tinha razão nessa questão tão importante”, afirmou.

“Tudo o que foi construído vai ser perder rapidamente, e nossa resposta vai ser pior”, complementou. 

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