Governadores comemoram plano vacinal. Oposição quer comissão para monitorar

O Ministério da Saúde apresentou nesta quarta-feira (16) o plano de vacinação contra a covid-19  no Palácio do Planalto. Apesar da vagueza de alguns pontos do plano – como não indicar a data do início da vacinação e quais os imunizantes a serem adotados pelo governo federal – o anúncio foi bem recebido por governadores de estados presentes à cerimônia.

Com a apresentação baseada no argumento de que o tratamento será igualitário a todos os 26 estados e o Distrito Federal, governadores foram às suas redes sociais expressar otimismo com a proposta.

"A ideia do Plano Nacional de Imunização de tratar de maneira igualitária a todos os brasileiros e garantir vacina a todos os 27 estados da federação é algo que devemos crer e devemos festejar", disse Helder Barbalho (MDB), governador do Pará. "Ao tempo em que aguardaremos os prazos efetivos para estabelecer com a população o compromisso da vacinação."

O mineiro Romeu Zema (Novo) também comemorou a apresentação do Planalto. "O governo federal irá fornecer para todos os estados a vacina e caberá ao estado distribuir as mesmas", ressaltou. "As datas ainda serão definidas e estaremos informando a todos os mineiros. Fica meu compromisso de que a vacina chegará a todo mineiro que quiser se vacinar."

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), aliado de Jair Bolsonaro, também destacou o caráter nacional da campanha. "Não tem um estado melhor que o outro, tem o governo federal se ocupando de todos e distribuindo as vacinas de acordo com os grupos de risco", comentou. Apesar da promessa de aquisição de 350 milhões de doses das vacinas, mais de 100 milhões delas ainda estariam em negociação, segundo o próprio governo.

Nem todos os 27 governadores estiveram tão animados com o anúncio do governo federal. Flavio Dino (PCdoB), do Maranhão, desejou apenas que o plano se cumpra: "O plano nacional de vacinação contém um capítulo dedicado à comunicação, em que se anuncia como objetivo eliminar “crenças negativas” sobre as vacinas", escreveu em seu Twitter. "Ótimo. Espero que Bolsonaro cumpra o plano do seu governo."

João Doria (PSDB) deixou de ir à Brasília para a cerimônia. No momento do evento, o governador de São Paulo disse que "respeitando protocolos e a ciência, não podemos perder um dia sequer no processo de imunização da população."

Oposição pede comitê gestor

No início da tarde, a bancada do Psol protocolou um Projeto de Lei (PL) na Câmara dos Deputados para criar o "Comitê Gestor Interinstitucional" do plano de vacinação.

Pela proposta, o comitê seria composto por 46 membros, incluindo os quatro presidentes dos três poderes; pelos 27 governadores; representantes das saúde no município, saúde indígena, divulgação científica, Anvisa e Butantan.

O Psol nomeou o documento apresentado pelo Ministério da Saúde de "pseudo-plano", e considerou urgente a entrada em vigor de um plano de vacinação. "Urge que reunamos os três Poderes de nossa República, diferentes entes federativos, especialistas, e diferentes agências e entidades em um esforço interinstitucional em favor do povo brasileiro", justifica o PL apresentado pelo partido.

Governo joga fora tradição de campanhas em massa

A presidente do Centro Brasileiro De Estudos De Saúde (Cebes), Lucia Souto, diz que o plano apresentado hoje tem as mesmas características daquele enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) na semana passada, e é considerado generalista. "Há um clamor da sociedade para que este planejamento seja objetivo, para sabermos quando vamos tomar a vacina", explica. "Para que medidas práticas possam ser tomadas".

A tradição de 45 anos do Plano Nacional de Imunização – e toda a expertise que se tem em campanhas de vacinação em massa – não estaria sendo aproveitada pelo atual governo, na visão da professora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

"O Brasil pediu o mínimo das vacinas possíveis no Covax Facility, cerca de 10%, quando poderia ter pedido até cinco vezes mais", explica a sanitarista. "Quer algo mais caótico que um presidente da República, que deveria estar incentivando e unindo a população brasileira, ser o primeiro a dizer que não toma a vacina?"

Lúcia lembra que a Constituição determina que a saúde seja direito do cidadão e dever do Estado. "Quem tem que fazer essa gestão de riscos e acompanhar todos os estudos, os resultados aprovados por agências, é o governo", concluiu. "Ele [governo] não pode transferir ao indivíduo uma responsabilidade que é sua. É inadmissível."

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