Em meio à pandemia, Brasil tem mais de 400 shopping centers abertos

Embora ainda esteja em curva ascendente no número de casos e mortes por covid-19, o Brasil tem acelerado a abertura de centros comerciais. Segundo a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), 411 estabelecimentos desse porte estão abertos e em pleno funcionamento em 16 estados e no Distrito Federal. Isso representa mais de 70% dos shoppings existentes em todo o território nacional. Entre os estados onde os centros comerciais estão de portas abertas estão o Amazonas, que tem o maior índice de mortos por coronavírus no Brasil, e São Paulo, com o maior número absoluto de óbitos por covid-19.

Acre, Alagoas, Amapá, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins são os dez estados nos quais os estabelecimentos permanecem fechados em meio à pandemia.

Veja quantos shoppings estão abertos por estado

Segundo dados do Ministério da Saúde divulgados na noite de segunda-feira (15), o Brasil registrou 627 óbitos por covid-19 no intervalo de 24 horas. No total 43.959 vidas foram perdidas para a doença. O país acumula 888.271 casos confirmados, dos quais 20.647 registrados de domingo para segunda.

De acordo com dados da Abrasce, relativos a 2019, o Brasil tem 577 shoppings, que faturam R$ 192,8 bilhões, geram mais de 1 milhão de empregos e recebem mais de 500 milhões de visitantes por mês.

O Distrito Federal foi um dos primeiros a reabrir as portas dos estabelecimentos, no último dia 27. Com horário de funcionamento reduzido, das 13h às 21h, os shoppings tiveram de obedecer às seguintes regras para voltarem a funcionar na capital brasileira: utilização de equipamentos de proteção individual e álcool em gel, a serem fornecidos pelo estabelecimento; medição de temperatura de todos os clientes; realização de testes de covid-19, a cada 15 dias, em todos os empregados, colaboradores, terceirizados e prestadores de serviços; proibição do uso de provadores; interdição de áreas de recreação, cinemas, quiosques e praças de alimentação; e limitação a 50% da capacidade para uso do estacionamento.

A reabertura dos centros comerciais na capital brasileira, que soma mais de 23 mil casos de infecção e 319 mortes, segundo dados atualizados ontem, ocorreu cerca de dois meses após o fechamento dos estabelecimentos.

Segundo o infectologista Hemerson Luz, que atua em hospitais de Brasília, a reabertura foi planejada tendo em vista a leitura dos números do momento. Ele chama atenção para a taxa de letalidade do DF – que é uma das mais baixas do país – e para a ocupação de leitos de UTI, que estava por volta de 50% quando houve a decisão e agora está em 70,6%. Além disso, foi considerada a possibilidade de se colocarem regras para os usuários.

Por outro lado, o infectologista observa que há uma problema comportamental da população, que gerou uma verdadeira corrida aos shoppings, gerando aglomerações em algumas localidades. “É uma decisão que pode ser revertida. O importante é que os especialistas e os gestores estejam acompanhando os números dia a dia”, avaliou o médico.

São Paulo e Rio de Janeiro reabriram os shoppings na última quinta-feira (11), feriado de Corpus Christi e véspera do Dia dos Namorados. As medidas de segurança adotadas são semelhantes às do DF, com funcionários controlando o acesso dos consumidores, que nos primeiros dias formaram filas nas entradas dos centros comerciais.

A reabertura dos shoppings e a liberação dos camelôs na cidade do Rio de Janeiro foram consideradas precipitadas por um médico que integra o comitê científico do município, formado para o enfrentamento da pandemia. Em entrevista ao RJ TV, da TV Globo, o infectologista Celso Ramos Filho, da UFRJ, disse ter ficado surpreso com essas decisões, tomadas durante uma reunião da qual ele informou não ter participado.

“Desconheço a razão técnica pela qual estamos abrindo shoppings em comemoração ao Dia dos Namorados”, disse Ramos, lembrando que o município do Rio ainda tem uma taxa alta de ocupação de leitos (89%).

A Abrasce informou que criou um protocolo de operações em parceria com a área de consultoria do hospital Sírio-Libanês. A reportagem tentou contato com a associação para detalhar essas medidas, sem sucesso. Não foram respondidos e-mails nem mensagens e nenhum telefone atendeu às ligações.

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