Bolsonaro usa de “mentira absurda” para confundir população, diz Eduardo Leite

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), reafirmou críticas ao presidente Jair Bolsonaro e disse ao Congresso em Foco que a subida de tom em suas declarações não significa uma mudança do comportamento que ele tem adotado, que geralmente é mais comedido, sem participar de conflitos.

"Não tem uma mudança de postura. Sempre apresentei minhas diferenças. Simplesmente estou reagindo a uma absurda mentira apresentada sobre distribuição de recursos, tentando confundir a população", declarou.

O conteúdo deste texto foi publicado antes no Congresso em Foco Premium, serviço exclusivo de informações sobre política e economia do Congresso em Foco. Para assinar, entre em contato com comercial@congressoemfoco.com.br.

O que motivou a reação de Leite, e também de mais 18 governadores que assinaram nota contra Bolsonaro, foi uma publicação do presidente nas redes sociais na qual ele superdimensiona as verbas que a União envia aos estados. O dinheiro repassado é obrigação constitucional.

O Congresso em Foco perguntou se a nota, que afirma que Bolsonaro tem como prioridade criar confrontos, foi iniciativa do tucano. Ele evitou responder e disse que "a liderança sobre a nota é menos relevante que a adesão que ela teve". O Rio Grande do Sul é o estado que enfrenta a situação mais crítica de ocupação de leitos de UTIs. De acordo com levantamento da CNN com dados das secretarias de saúde estaduais atualizados de segunda-feira (1º), o estado tem 96,9% dos leitos ocupados.

Eduardo Leite declarou voto em Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial de 2018, mas não associou sua campanha com a dele. A campanha casada foi  adotada pelo  concorrente José Ivo Sartori (MDB), que perdeu para Leite e não foi reeleito governador.

Em entrevista coletiva na segunda, Leite disse que o comportamento de Bolsonaro em relação à pandemia "infelizmente está matando".

"Não adianta evocar Deus e colocá-lo acima de todos, porque Deus coloca a vida em primeiro lugar. Então se é para obedecer um mandamento divino, lembre-se que está entre os mandamentos não matar, e um líder na posição dele, que despreza os cuidados sanitários e despreza a sua gente, buscando algum proveito político ou se desfazer de algum prejuízo que possam causar as medidas que devem ser tomadas, infelizmente está matando."

O governador gaúcho é um dos nomes que pode ser candidato a presidente pelo PSDB em 2022. O governador de São Paulo, João Doria (SP), é hoje a alternativa da legenda com mais força para disputar a eleição do ano que vem, mas uma parcela do partido tenta fazer com que Leite seja o escolhido pelo partido.

> Presidente do PSDB de SP cobra oposição a Bolsonaro e reclama de ala governista

Continuar lendo