Butantan cria vacina contra covid-19 e pede autorização à Anvisa para testes

O governo de São Paulo anunciou que está produzindo uma nova vacina contra a covid-19. O Instituto Butantan pedirá à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorização para testes clínicos com o novo imunizante, chamado de Butanvac, desenvolvido pelo próprio órgão.

"Vamos apresentar hoje a Butanvac, a primeira vacina 100% nacional, integralmente desenvolvida e produzida no Brasil pelo instituto Butantan, maior produtor de vacinas do hemisfério sul e agora se colocando internacionalmente como um produtor de vacina contra a covid-19", anunciou na manhã desta sexta-feira (26) em entrevista coletiva o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). O objetivo é entregar 40 milhões de doses ainda este ano.

O desenvolvimento de uma vacina própria pelo governo de São Paulo deve abrir mais um capítulo na disputa política entre Doria e o presidente Jair Bolsonaro. O tucano disse não ter dúvida de que a Anvisa será célere na autorização para os novos testes. "Estamos diante de uma tragédia. Temos de superar a burocracia em nome da vacina, da saúde e da vida", afirmou o governador.

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, disse que a vacina é usada com vírus inativado e produzida a partir de ovos embrionários, método também utilizado para a produção da vacina da gripe. "Nós já estamos falando de uma segunda geração de vacinas. Já é a vacina 2.0. Aprendemos com as vacinas anteriores e sabemos o que é uma boa vacina pro Covid. Ela é mais imunogênica e, portanto, poderemos usar menores doses da vacina por pessoa. Com isso, o quantitativo de doses pode ser aumentado", afirmou.

A vacina já passou por testes pré-clínicos em animais. O Butantan pedirá à Anvisa autorização para fazer a avaliação em humanos. Segundo Covas, o Butantan vai liderar um consórcio que tem como objetivo produzir vacina para países pobres da África e da Ásia.

"Seremos totalmente independentes, temos uma capacidade de produção de 100 milhões de doses por ano e já podemos iniciar a produção em maio, com a produção de 40 milhões de doses, assim que acabar a campanha da vacinação da gripe. Agora, aguardamos a aprovação da Anvisa para iniciar o estudo clínico. Isso será feito, acredito eu, muito rapidamente, e possamos começar a usar essa vacina ainda no segundo semestre deste ano", disse o diretor do instituto paulista, que é responsável no Brasil pela produção da Coronavac, em parceria com a chinesa Sinovac.

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