Anvisa pode virar agência de vigilância ideológica, diz Doria

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), criticou, em entrevista à revista Veja, a atitude do presidente Jair Bolsonaro no caso da suspensão dos testes da Coronavac. Segundo Doria, “ficou claro que a decisão foi motivada por uma orientação ou pressão exercida pelo Palácio do Planalto”.

“Foi um fato inédito na história da agência. Espero que ela volte ao caminho de antes — de garantir a segurança, mas também a celeridade do processo, sem fazer escolha de vacinas”, disse. 

O governador afirmou que o episódio contaminou a boa percepção que se tinha do trabalho da Agência de Vigilância Sanitária. 

“Até esse equívoco havia uma confiança na autonomia da agência. O episódio recente mudou essa percepção. Se ela for comandada pelo Planalto, passará de agência de vigilância sanitária para de vigilância ideológica”.

Doria criticou também o fato do presidente ter comemorado a suspensão dos testes da vacina como se fosse uma vitória política.

“Ele é um irresponsável. Eu me decepcionei mais do que me surpreendi. Foi chocante, não só para o Brasil, mas para o mundo. Mais de sessenta veículos de mídia publicaram reportagens condenando a posição do presidente. Não se pode celebrar a morte e comemorá-la como se fosse uma vitória. Não se comemora uma morte, se chora por ela. Bolsonaro classificou de covardes as pessoas que não estão saindo para garantir a sua sobrevivência. Ele chamou de “maricas” quem está protegendo a própria saúde, a dos familiares e a dos amigos. É triste termos um presidente assim”.

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