Esvaziamento da área de educação do Serpro visa privatização, denuncia funcionário

Renata Vilela*

Segundo mensagem distribuída em grupos de especialistas em tecnologia, está ocorrendo um esvaziamento da área de Educação do Serpro, lotada na Diretoria de Desenvolvimento Humano. Conforme o texto, profissionais da escola virtual, com atuação corporativa, serão deslocados para a Diretoria de Desenvolvimento de soluções em software para integrar as equipes, até onde se sabe, de construção de portais.

Optando pelo anonimato por temer represálias, o funcionário explica, “Não se trata de dizer que o desenvolvimento Web seja mais ou menos importante. O que deve ser destacado é a desvalorização da educação no contexto corporativo, e o dano potencial que isso acarreta na evolução institucional, o que reforça a hipótese de ser mais uma ação na direção da privatização”.

Ainda de acordo com o relato, o desenvolvimento da educação corporativa no Serpro teve início há pouco menos de 20 anos. Foi criado pela vontade de funcionários da empresa a partir de uma proposta denominada Informática Pública, cuja ideia era dar sequência às experiências desenvolvidas em empresas públicas de informática que se organizavam em dois fóruns principais – ABEP e a extinta ASBEMI (Associação Brasileira das Entidades Municipais de Informática). Com isso, buscava-se a criação de uma estrutura de apoio interinstitucional, e a definição de uma política educacional que visava a transição de um modelo baseado em tecnologias proprietárias, para outro, de tecnologias abertas, apoiadas na Internet.

Atualmente, segundo o funcionário, o que se vê é “uma privatização subliminar”. Nesse sentido, o especialista explica que as medidas de racionalização não são mais do que uma forma de otimizar o faturamento por empregado, deixando de levar em conta “a liberdade intelectual para potencializar o trabalho em equipe”.

A consequência desse sistema é a transformação do Serpro “em mero integrador de tecnologias de terceiros”, cujo destino é “virar um departamento de compras qualquer, que mistura aquisição de papel higiênico com aquisição de software, lotado no último lugar da estrutura de alguma secretaria de algum ministério”.

*Renata Vilela, jornalista, especial para a campanha Salve Seus Dados

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