O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, pediu hoje (11) licenciamento da presidência do PDT paulista. Por meio de acordo firmado com a direção do partido, Paulinho ficará afastado enquanto estiverem em curso as investigações sobre o possível envolvimento do parlamentar com um esquema de fraudes no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
“A providência visa à preservação da sigla naquilo que a tem diferenciado ao longo dos seus 28 anos de história, qual seja, o inabalável compromisso do PDT com os princípios da moralidade pública e da probidade administrativa”, diz trecho da nota publicada nesta quarta-feira pelo presidente do partido, deputado Vieira da Cunha (RS).
Segundo Cunha, o afastamento, no entanto, não significa a condenação de Paulinho. “O PDT espera que ao final do processo investigatório recém-autorizado pelo STF fique demonstrada a não-participação do parlamentar nos atos ilícitos apontados pela Polícia Federal, o que ensejará o recebimento do deputado Paulo Pereira da Silva de volta às funções de dirigente do partido das quais ora se afasta”, assegura Cunha.
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Na última quinta-feira (5), o Conselho de Ética da Câmara abriu processo contra Paulinho. O relator escolhido pelo colegiado é o deputado Paulo Piau (PMDB-MG), que terá até 90 dias para apresentar o parecer final com a sugestão de cassação, ou não, do mandato de Paulinho.
O pedetista terá um prazo de até cinco sessões ordinárias para apresentar a defesa.
Em carta enviada à Executiva do partido, Paulinho se defende das acusações e diz ser alvo de uma “implacável, insidiosa e perversa campanha de desmoralização pública”.
Segundo ele, tal campanha tem como objetivo, entre outros, de colocar em xeque os direitos trabalhistas defendidos pelos sindicalistas.
“Querem atacar os direitos conquistados e evitar novas conquistas dos trabalhadores. Querem impedir a unidade dos trabalhadores através de suas centrais sindicais. Unidade da qual, sem falsa modéstia, sou defensor e fiador”, criticou em trecho da carta.
"Para me concentrar nas justas defesas de meu mandato e no desmascaramento das infundadas acusações, comunico à direção nacional do PDT o meu licenciamento da presidência estadual do PDT de São Paulo" concluiu.
Santa Tereza
O processo contra Paulinho é resultado da Operação Santa Tereza, iniciada em dezembro de 2007 pela Polícia Federal e que tinha por objetivo apurar denúncias de exploração de prostituição e tráfico de pessoas. Ao longo das investigações, a PF interceptou, no entanto, ligações de integrantes do grupo que negociavam a cobrança de uma porcentagem sobre o valor liberado pelo BNDES para a realização de financiamentos.
Segundo a PF, o prefeito de Praia Grande (SP), Alberto Mourão (PSDB), repassou R$ 2,6 milhões à quadrilha em troca da aprovação de financiamento de R$ 124 milhões para o município. Além dele, o ex-conselheiro do banco estatal Ricardo Tosto, acusado pela Polícia Federal de participar do esquema, e o vice-presidente estadual do PDT, José Gaspar Ferraz de Campo, devem ser ouvidos no Conselho de Ética da Câmara. (Erich Decat)
NOTA DO PDT
A Executiva Nacional do Partido Democrático Trabalhista comunica, publicamente, o seguinte:
1. O Deputado Paulo Pereira da Silva solicitou hoje licenciamento da presidência do PDT em São Paulo e também, de comum acordo com a direção partidária, ficará afastado da condição de membro da Executiva Nacional enquanto estiverem em curso as investigações sobre irregularidades na liberação de empréstimos do BNDES.
2. A providência visa à preservação da sigla naquilo que a tem diferenciado ao longo dos seus 28 anos de história, qual seja, o inabalável compromisso do PDT com os princípios da moralidade pública e da probidade administrativa.
3. A atitude, porém, não significa condenação do deputado Paulo Pereira da Silva, o que seria inaceitável pré-julgamento.
4. O PDT espera que ao final do processo investigatório recém-autorizado pelo STF fique demonstrada a não-participação do parlamentar nos atos ilícitos apontados pela Polícia Federal, o que ensejará o recebimento do deputado Paulo Pereira da Silva de volta às funções de dirigente do partido das quais ora se afasta.
5. O Partido reafirma, por fim, sua identidade com a ética e o seu compromisso público e histórico de não compactuar com ilicitudes. O PDT nunca foi, não é e jamais será lugar para corruptos.
Brasília (DF), 11 de junho de 2008.
Deputado Vieira da Cunha,
Presidente.
Veja íntegra da carta do deputado Paulo Pereira da Silva ao presidente do PDT, deputado Vieira da Cunha.
À Direção Nacional do PDT
Exmo. Sr. Presidente Vieira da Cunha
Tenho sido alvo, nas últimas semanas, de uma implacável, insidiosa e perversa campanha de desmoralização pública, toda baseada em acusações e denúncias falsas e manipuladas. São denúncias extraídas de conversas entre pessoas que declaradamente, conforme já confessaram na justiça, usaram meu nome indevidamente.
Nego, terminantemente, e negarei sempre, ter qualquer relação com supostas ações de tráfico de influência para obter empréstimos do BNDES para empresas e prefeituras. É público o rigor com que esta instituição recebe, examina, enquadra e libera propostas de financiamento. Sobre estas acusações provarei minha inocência.
Vivemos em um Estado de Direito. Mas, infelizmente, invadem de forma arbitrária nossa vida e a vida de nossas famílias para nos acusar de crimes que não cometemos, e nos obrigam a provarmos nós mesmos a nossa inocência, numa absurda inversão de valores.
Nos anos 50, os conservadores, os inimigos do povo e dos trabalhadores tentaram manchar a honra do grande Getúlio Vargas, levando-o ao suicídio. Em 1964, golpearam o presidente João Goulart e o grande líder Leonel Brizola, que passou a vida inteira, até a morte, perseguido por estas forças.
Recentemente, foi o presidente do PDT e ministro do Trabalho e Emprego Carlos Lupi, obrigado a se defender de acusações absurdas e impertinentes, de tal forma que acabou sem necessidade a se licenciar do partido ao qual dava e dá todo o tempo de sua vida.
Agora, é comigo. Por quê? Porque querem tirar o protagonismo do movimento sindical do cenário político nacional. Querem atacar os direitos conquistados e evitar novas conquistas dos trabalhadores. Querem impedir a unidade dos trabalhadores através de suas centrais sindicais. Unidade da qual, sem falsa modéstia, sou defensor e fiador.
Com o meu mandato venho liderando lutas vitoriosas: apoio ao veto à Emenda 3 da Super Receita, legalização das centrais sindicais, política de valorização do salário mínimo, correção da tabela do imposto de renda, e tantas outras. Conquistas estas, contra a vontade e a campanha venenosa dos conservadores que preferem explorar os trabalhadores nas cidades e escravizá-los no campo, em suas fazendas medievais.
Num momento decisivo de nossa história, decidi, junto com a maioria de meus companheiros sindicalistas, apoiar o governo do presidente Lula, cuja política econômica sempre critiquei e ainda critico em alguns pontos, como os altos juros, mas cuja política social não tenho como não apoiar, porque é redentora e só não é maior porque nos faltam recursos que ainda vão para bancos e especuladores.
Enfrentei e continuarei enfrentando, no Congresso Nacional, nos setores econômicos, na sociedade, todos aqueles que não gostam do povo e não querem que existam sindicatos fortes, com poder para defender os mais fracos diante dos que, fortes, usam esta força não para a convivência democrática, mas contra os direitos da população menos favorecida.
Fui eleito pelos trabalhadores e tenho as responsabilidades assumidas na campanha eleitoral vitoriosa e nas batalhas e lutas do mundo do trabalho.
A verdade é uma só. E nela confio. Para me concentrar nas justas defesas de meu mandato e no desmascaramento das infundadas acusações, comunico à direção nacional do PDT o meu licenciamento da presidência estadual do PDT de São Paulo.
PAULO PEREIRA DA SILVA
(PAULINHO)
Deputado Federal (PDT-SP)
Presidente da Força Sindical