O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), avisou hoje (1º), durante a reunião da CPI dos Cartões, que irá solicitar à Presidência da República que permita que um representante do seu partido participe da comissão de inquérito – montada para investigar a divulgação de dados sigilosos referentes ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e a sua mulher, Ruth Cardoso.
Ao longo de toda a reunião da CPI de hoje, governo e oposição se alfinetaram em referência ao suposto dossiê, divulgado pela revista Veja na semana passada. Os governistas, apesar de admitirem a existência de um “banco de dados”, negaram que o dossiê tivesse sido feito.
“Isso é uma tentativa de desqualificar uma pessoa pública e que engrandece o governo, como é a ministra Dilma [Rousseff, chefe da Casa Civil]”, disse o senador petista.
“Há uma diferença essencial entre os dados que estão sendo transportados em caminhões, e que fazem parte de um banco de dados, e aqueles da ex-primeira dama Ruth Cardoso, que são considerados sigilosos até pelo próprio Palácio. E o mais interessante é que os dados mais pitorescos estavam em caixa alta, o que só evidencia que houve um dossiê”, rebateu Virgílio.
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Diante do impasse sobre se as informações divulgadas por Veja caracterizavam ou não um dossiê, o senador José Nery (Psol-PA) destacou que “qualquer que seja o nome, há algo que foi tornado público de forma indevida”. “Tanto é que foi aberta uma sindicância interna, e não se faz uma sindicância interna para apurar o nada. Então é claro que há fatos a serem esclarecidos”, disse.
O parlamentar ressaltou, no entanto, que não há, até o momento, informações ligando a ministra Dilma à divulgação das informações sobre o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Mesmo assim, ele destacou que é preciso apurar os fatos. (Soraia Costa)