Lula se acha o máximo

Roseann Kennedy*


Colocando-se sempre como uma liderança política maior que todas as outras da atualidade, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva soltou mais uma pérola nesta sexta-feira. Disse que não era candidato a secretário-geral da ONU para não abrir precedente de presidentes assumirem a função e haver o risco de os Estados Unidos quererem disputar todo o poder na Organização, ou seja o comando no Conselho de Segurança e o cargo geral das Nações Unidas.


Uma declaração sem sentido, afinal, se os Estados Unidos quisessem um dia indicar Barack Obama para o cargo, poderiam fazer isso sem problemas. Não precisariam de Lula para abrir a porta da candidatura.
 
Mas o presidente Lula não parou por aí em sua mania de se vangloriar. Disse, também, que a ONU não pode ter como secretário-geral um político com mais poder que os demais presidentes. Aí eu pergunto: ele quis dizer que é mais forte que todos os outros chefes de Estado que estão nas Nações Unidas? Foi o que sinalizou o tom do discurso.
 
O tom só foi suavizado com a declaração que fez considerando “cortesia” a sugestão do presidente da Bolívia, Evo Morales, para que ele seja candidato a secretário geral da ONU pela América do Sul.
 
A proposta foi feita por Morales durante discurso no encerramento da cúpula do Mercosul, em Foz do Iguaçu. E, sem falar em cargos específicos, presidentes de outros países presentes no encontro, como o do Suriname e o da Guiana, também defenderam que o presidente Lula ocupe função de destaque no cenário político internacional.
 
O próprio presidente, no entanto, ressaltou que não precisa de cargos, mas de motivação para trabalhar para fortalecer os partidos da America Latina e para implantar políticas sociais em países do continente e da África.
 
Que ele é uma grande liderança política é indiscutível. Excelente orador, com capacidade para motivar plateias e movimentos, não há dúvidas. Mas cargos dão poderes, muitas vezes necessários para a realização dessas políticas sonhadas pelo presidente. Colocar-se acima dos cargos apenas ratifica a mania de Lula considerar-se superior.
 
Em tempo, a participação na cúpula do Mercosul em Foz, nesta sexta-feira, foi o último evento na agenda internacional de Lula como presidente da República. Durante todo o evento, Lula afirmou que deixará o cargo realizado, exaltou os avanços do bloco, criticou a antiga subordinação dos países latinos às nações desenvolvidas e apelou para os próximos gestores não deixarem haver retrocesso. Também defendeu que haja um esforço para difundir o que chamou de “identidade regional mercosulina”.
 
*Comentarista política da CBN, Roseann Kennedy escreve esta coluna exclusiva para o Congresso em Foco

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