A curtíssima memória do eleitor

Roseann Kennedy*


Você lembra em quem votou, para cada um dos cargos que estava na disputa este ano? Pois saiba que 23% dos eleitores já não sabem para quem deram o voto de deputado estadual e 21,7% também não recordam a escolha para deputado federal. No caso de senador, o esquecimento ficou em torno de 20,6% dos entrevistados.


A constatação está numa pesquisa divulgada nesta segunda-feira pelo Tribunal Superior Eleitoral. O que o levantamento aponta, sobre um esquecimento maior em relação aos cargos do Legislativo, certamente é um dos motivos que influenciam de maneira negativa na composição do Congresso.


Se a pessoa sequer lembra em quem votou, como vai fiscalizar a atitude do parlamentar? E se esse não é fiscalizado, certamente sente-se muito mais livre e confortável para cair em falcatruas ou adotar posturas que até podem ser legais, mas estão longe da ética pública esperada. A exemplo do que ocorria com o uso das passagens aéreas até o ano passado.


A verificação do esquecimento do eleitor é ainda mais preocupante quando observamos o período da pesquisa. Porque o levantamento não foi feito esta semana não. As entrevistas foram realizadas entre os dias 3 e sete de novembro.
O estudo também foi amplo em termos de representatividade nacional. Coletou os dados em 24 unidades da Federação, nas cinco regiões. Os entrevistados tinham entre 16 e 70 anos com variação de escolaridade entre a 4ª série do ensino fundamental e o ensino superior completo.


Outro dado da pesquisa aponta que o meio de comunicação mais utilizado para se informar sobre política e eleições foi a televisão.


É interessante observar a influência de alguns meios para o eleitor escolher em quem votar no segundo turno. Somente 18,8% afirmaram que debates entre os candidatos na televisão e no rádio contribuíram para a decisão. Já os programas eleitorais, nos quais os candidatos gastam tanto dinheiro e fazem mega-produções, só influenciaram 15,5%.
São indicativos curiosos para os partidos e candidatos de fato reavaliarem os investimentos de campanha e apostarem mais em atividades que realmente resultam em voto. Ou seja, o contato pessoal, o trabalho de militância.
 
Agora, um ponto da pesquisa me chamou atenção especificamente. A Justiça Eleitoral é uma instituição confiável para 73% dos entrevistados.


É, portanto, positiva a imagem que o eleitor tem da Justiça Eleitoral, de que ela serve para fiscalizar as eleições, garantir o direito de opinar e organizar o pleito.


Sinceramente, acho que a postura do TSE em relação à Lei da Ficha Limpa deve ter tido papel relevante nessa avaliação, porque o nível de confiança na Justiça Eleitoral é inclusive melhor que o do Poder Judiciário como um todo. Afinal, o TSE julgou a tempo de garantir a validade da lei nessas eleições. O imbróglio ocorreu depois no Supremo Tribunal Federal.
 
*Comentarista política da CBN, Roseann Kennedy escreve esta coluna exclusiva para o Congresso em Foco

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