Quanto mais jornalismo, menos “fakenewsmo”

 

E a mídia de mercado, que vive de tiragem e audiência, divulga o que ocorre na cidade, no estado, no país e no mundo. O próprio público da imprensa convencional, além de outros mecanismos, funciona como instrumento regulador e, por isso, exige informação isenta e imparcial. Se há excessos? Sim, claro, embora já se tenha avançado muito no aperfeiçoamento dos protocolos de apuração. Ouvir todas as partes envolvidas e separar publicidade de matéria editorial já são cuidados óbvios.

Vai longe o tempo em que o chefe político mandava comprar toda a edição do jornal com manchete que o incomodava, e assim sufocava a notícia. Hoje é impossível anular uma notícia que circula pela internet.

Mais imprensa, menos mentiras

Uma certeza vem se cristalizando com nitidez absoluta: nem a liberdade, prima-irmã da democracia, nem a verdade, irmã-siamesa da justiça, podem prescindir dos procedimentos midiáticos que a experiência ajudou a consolidar, sintetizados na ontologia e nos preceitos definidos nos códigos de ética, nos cuidados dos observatórios, na atuação dos ombudsman e em todo o aparato de aperfeiçoamento da apuração e da edição jornalística, tudo em busca da verdade e do comprometimento com o interesse público.

Para as fake news, às quais dedico atenção especial pela importância de que se revestem, não identifico ainda antídoto nem remédio. Mas, sem dúvida, fora outras providências, o combate às mentiras turbinadas tecnologicamente começa pelo fortalecimento da imprensa, ela, sim, aparelhada para a apuração de qualidade e comprometida com o equilíbrio, a liberdade, a democracia e o interesse público. Ainda que eventualmente erre, na essência a imprensa acerta. Por isso, não tenho medo de escrever, assinar embaixo e mandar reconhecer a firma:

- Quanto mais imprensa livre e comprometida com a verdade, menos notícias falsas. Quanto mais imprensa responsável, menos informação tendenciosa. Quanto mais jornalismo, menos “fakenewsmo”.

 

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