Orgulho ou vergonha?

Espanta-me o visível orgulho com que muitos se referem ao fato de o Brasil estar entre as dez maiores economias do planeta. Fico pasmo! Ocorre que o Brasil tem o quinto maior território e a sexta maior população. Assim, só deveremos ter orgulho quando estivermos entre as quatro maiores; abaixo desse nível, há razões para termos vergonha.

Com base no PIB total, estávamos entre as dez mais até o presente março de 2021 e, agora, caímos ainda mais!

Se considerarmos o PIB nominal per capita, até ontem éramos a 62ª economia, atrás do Uruguai (52ª), Venezuela (53ª) e Chile (58ª). No critério paridade de poder de compra, que considera as diferentes pautas de consumo em cada país, ocupávamos a 72ª posição e nossos vizinhos Chile (53ª), Uruguai (56ª) e Cuba (57ª) ficavam adelante de nosotros. Devemos ter orgulho?

Quem sabe comparando o Índice de Desenvolvimento Humano? Neste, em 2019, o Chile ficou em 43º, a Argentina em 46º, a Costa Rica em 62º e o Brasil em 84º! Dá vergonha, não?

E se consideramos o percentual da população com acesso a saneamento básico? O Brasil fica na 101ª posição, atrás – pasmem! – da Coreia do Norte (100ª), República Dominicana (98ª) e Cuba (74ª).

E na educação? Veja-se o Pisa, teste internacional que compara a habilidade em leitura, matemática e ciências, dos alunos de quinze anos de idade. Em 2018, a China ficou em 1º lugar. Em 2019 o Brasil, entre 70 países, não passou da 59ª posição! É para chorar ou arrancar os cabelos?

Uma comparação mais atual e não menos crítica: o desempenho do país na atenuação da covid-19 e na vacinação contra a doença. Ainda em meados do ano passado, no Brasil, apenas 0,63 a cada mil habitantes haviam sido testados, proporção bem inferior à de Cuba (2,65), Paraguai (0,83), Peru (4,44) e Argentina (0,76), para ficar só na América Latina.

Já em termos de mortes, ocupamos o nada honroso segundo lugar mundial, embora tenhamos, como dito, a sexta maior população! Sobre a vacinação também estamos atrasados na comparação internacional, agravando a nossa angústia pois não sabemos quando poderemos ser imunizados, enquanto surgem novas cepas do vírus, ainda mais perigosas.

Com todos esses dados, ainda podemos ter orgulho do nosso país? Sim, pelas enormes oportunidades que nos oferece.

Temos, porém, de ter vergonha dos nossos dirigentes, não apenas dos atuais mas de quase todos das últimas décadas, com raras e honrosas exceções, pois têm sido incapazes de encontrar caminhos para posicionar o Brasil em termos mais favoráveis. Devemos também, com afinco e urgência, buscar substituí-los por novos, que não se orgulhem daquilo de que devem se envergonhar, e que sejam de outras cepas que não as dominantes há tanto tempo!

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