Usina nuclear e o coronavírus

Heitor Scalambrini Costa*

Uma polêmica esta em andamento após mensagem nas redes sociais de um dos membros mais respeitados da “intelligentsia” brasileira, o quase embaixador, filho do presidente da República, o conhecido “filho 03”. O deputado federal mais votado do Brasil, Eduardo Bolsonaro, retuitou uma mensagem culpando a China pela pandemia provocada pelo coronavírus (família de vírus que causa infecções respiratória).

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Não é a primeira vez que membros da família Bolsonaro, atacam e provocam os chineses. Todavia a mensagem do nobre deputado federal, provocou uma crise com a maior parceira comercial do Brasil, a República Popular da China. Figurando entre as principais fontes de investimento estrangeiro direto no país, com destaque para o setor de infraestrutura (sobretudo na geração e transmissão de energia e nas áreas portuária e ferroviária) e para o setor de óleo e gás, com participação importante nos setores financeiro, de serviços e de inovação.

Além de publicar que a China é a culpada da disseminação do novo coronavírus, 03 citou o desastre nuclear de Chernobyl semelhar ao potencial de destruição, e dos malefícios provocados  contra o planeta pelo vírus.

Este expoente da ultra direita pró EUA, ao comparar o vírus ao desastre de Chernobyl, com suas catastróficas consequências aos seres humanos e a natureza; com seu sincericídio, acabou demonstrando que ser contra  a instalação de usinas nucleares é o caminho a ser seguido.

O desastre nuclear mencionado foi catastrófico. Ocorreu entre 25 e 26 de abril de 1986, na usina de Chernobyl (cidade de Pripyat, na Ucrânia), com a explosão do reator 4, que acabou projetando e lançando para a atmosfera grande quantidade de material radioativo. Além de tornar o local e os arredores da usina inabitáveis, contaminou grande área, atingindo locais situados a mais de 3.000 km de distância da usina.

Diante desta lembrança de que acidentes em usinas nucleares acontecem, e podem provocar tragédias, então surgem naturalmente perguntas que não querem calar.

Porque construir estas usinas caras, perigosas e sujas?

Porque não usar as possibilidades diversas e grandiosas que a natureza oferece em todo território brasileiro em relação as fontes energéticas: do Sol, dos ventos, da biomassa, dos oceanos?

Porque investir US$ 30 bilhões até 2050 para construção de 6 novas usinas no Complexo de Itacuruba-PE, e ainda terminar Angra 3 com sua tecnologia ultrapassada?

Este é o momento de reflexão diante da crise ecológica gravíssima, que põe  em risco nosso futuro. Qual o sentido de nosso mundo ameaçado de doenças como a de agora e de outras pré-anunciadas? Como combater  propostas insanas, como a instalação de usinas nucleares, que coloca em risco, e ameaça a sobrevivência da vida em nosso Planeta?  

*Professor aposentado da Universidade Federal de Pernambuco

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