Ser mãe é travessia

"Ninguém me disse que ao cruzar a fronteira da maternidade eu deixaria junto à placenta um pouco de mim para trás. Mas parte do que eu perdi de mim mesma, era o espaço livre que se abria para muitas “Anas” que eu desconhecia."

Ana Paula Barreto*

Ninguém me disse que ao cruzar a fronteira da maternidade eu deixaria junto à placenta um pouco de mim para trás. Mas parte do que eu perdi de mim mesma, era o espaço livre que se abria para muitas “Anas” que eu desconhecia.

Ser mãe é uma travessia! Há dias de mares revoltos, há dias de calmaria. Uma “bússola” constantemente nos falta, mas posso garantir que ela também nos guia. Nos guia para um universo de autoconhecimento, perdão, poesia.

Ser mãe é travessia! É voltar a ter fé nos dias de puro desalento, e sentir alegria apenas por frações de segundos, momentos...

Ser mãe é travessia! É entender que fazemos o melhor que podemos na tentativa de “pintar” uma versão mais bem acabada da gente. E orgulhar-se do ser humano que nos parece um dia espelho, no outro, estranho, quase alheio.

Ser mãe é travessia!  Então, para fazer a travessia,  generosamente “naveguemos”, cruzemos a fronteira do desconhecido e atravessemos de peito aberto esta aventura para um aprendizado eterno, rumo a um amor tão infinito quanto contraditório.

Ser mãe é travessia! Aproveite o vento no rosto, o beijo babado, o sono em demasia e o “mirar” apaixonado.

E ame em “poesia”, pois amar em poesia é viver com leveza a travessia.

*Ana Paula Barreto é mãe de Catarina e jornalista

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