Por que as eleições nos Estados Unidos importam

Vinicius Franco *

No próximo dia 6 de novembro, os Estados Unidos passarão pela uma eleição que renovará a Câmara de deputados (435 cadeiras), e 35 de 100 cadeiras do Senado americano, mais 36 de 50 governadores estaduais.

As previsões dos analistas políticos americanos será que haverá uma mudança do controle republicano na Câmara para uma maioria democrata, e que o senado se manterá republicano. De maneira geral, essa eleição costuma ser menos popular que as eleições presidenciais – lembrando que o voto nos Estados Unidos não é obrigatório.

Em média, 40% dos eleitores votam nessas eleições, enquanto nas eleições presidenciais 60% dos eleitores comparecem às urnas historicamente. Outro fator importante é que essas eleições são conhecidas como “de meio termo”, ou seja, há o peso do Executivo na decisão dos eleitores – o que significa que, usualmente, os eleitores respondem ao incumbente e suas políticas.

Desde 1994, o incumbente tem perdido o controle da casa – ocorreu com Bill Clinton, Bush e Obama, e pode ocorrer com Donald Trump. A disputa na Câmara favorece os Democratas, pois 40 republicanos estão se aposentando e esse fato garante que disputas regionais favoreçam candidatos democratas mais conhecidos pelos eleitores. No entanto, no Senado a história é outra: 24 cadeiras que estão em jogo são democratas e muitas delas – em torno de 10 – são reservadas a estados em que o presidente Donald J. Trump é ainda popular.

Mas por que gastar o nosso tempo prestando atenção nessas eleições? Em primeiro lugar, as eleições de 2016 nos Estados Unidos consolidaram a onda conservadora e antissistema que vivemos hoje no Brasil. Além do mais, o impacto dessas eleições reverbera na política externa americana: um fortalecimento de Trump irá ampliar as sanções ao Irã, o que deve fazer o preço do petróleo continuar subindo, e o acirramento da guerra comercial com a China.

O turnout, que é a capacidade de mobilização dos partidos e políticos americanos de fazer os eleitores irem as urnas, é uma medida importante para compreender se a onda conservadora ainda está forte nos EUA. O presidente Trump está fazendo dessa eleição um referendo sobre seu mandato, como tem dito em comícios políticos, e pede para que seus eleitores “saiam de casa” para votar.

A revolta do “homem comum” ocorrida nos EUA em 2016 favorece o partido republicano e as políticas de Donald Trump, e podem impactar nas eleições de 2018. E, como temos visto, em várias eleições pelo mundo.

O que não sabemos ainda é qual será o impacto disso para o comércio global e a globalização. Por hora, vejo somente uma reação natural dos que perderam sua voz nesse processo – um grupo que demanda empregos, salários melhores e um sistema que defenda seus valores e causas. A democracia sobrevive.

* Graduando em Administração Pública pela FGV-SP, criou e presidiu, entre 2017 e 2018, o núcleo de Estudos de Política em Pauta FGV (Epep/FGV), que organizou vários debates sobre temas políticos e econômicos. Foi responsável pela área de pesquisa no Centro de Microfinanças e Inclusão Financeira na mesma instituição (Cemif/FGV).

 

Do mesmo autor:

>> Mercado fora do lugar

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!