Por mais mulheres na política brasileira

Rose Modesto*

Quando Aristóteles disse em Ética à Nicômaco que o ser humano é “político por natureza”, destacou também que “o homem bom viverá em companhia de outros, visto possuir ele as coisas que são boas por natureza”. Por isso, ao falarmos sobre o Dia Internacional da Mulher é necessário refletir, também, sobre a posição de cada uma delas na política e a união dos que querem o bem.

A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou em seu site um levantamento que desnuda uma injustiça “velada” que ocorre nos 4 cantos do mundo quando a pauta é política. Os números mostram que as mulheres continuam sub-representadas em todos os níveis de tomada de decisão ao redor do mundo e, infelizmente, se continuarmos no atual ritmo, a igualdade de gênero nas posições mais altas do poder só será alcançada daqui a 130 anos. Ainda segundo a ONU, 119 países nunca tiveram uma líder mulher, apenas 21% dos ministros do governo são mulheres, com somente 14 países tendo alcançado 50% ou mais mulheres nos gabinetes. Outro aspecto da pesquisa que vale ser ressaltado é que apenas 25% de todos os parlamentares a nível federal são mulheres, sendo que em 1995 a taxa era de 11%. Seguindo esse mesmo ritmo, a igualdade (entre homens e mulheres) nos órgãos legislativos nacionais não será alcançada antes de 2063.

A mesma ONU mostra que, em 2012, o Brasil estava na 126º posição no ranking de proporção de mulheres nos parlamentos, com 177 países. Em 2017, o país caiu para a 154ª posição, com a segunda pior colocação na América Latina. Um retrocesso lamentável, sem dúvidas.

Porém, temos alguns motivos para nos alegrar! Nessa semana, quando comemoramos o Dia Internacional da Mulher, quero ressaltar os números da legislatura da qual faço parte e que muito me orgulho. Com um aumento considerável, hoje a bancada feminina da Câmara dos Deputados conta com 79 deputadas, ocupando 15% das cadeiras. Em 2014, eram apenas 51 mulheres, representando somente 10% do Parlamento. No Senado, contudo, não houve uma mudança significativa, já que a bancada das mulheres ficou com 12 representantes (14,8%), uma a menos que na legislatura anterior. Para termos de comparação, as mulheres são 52% do eleitorado, mostrando que não há uma representação proporcional no Congresso.

Além da representatividade, há aspectos da participação feminina na política que devem ser levados em conta. Por exemplo, o Journal of Economic Behavior & Organization apresentou, em 2018, uma análise de mais de 125 países, incluindo o Brasil. O estudo demonstra que os índices de corrupção são menores onde mais mulheres participam do governo.

Os autores da pesquisa avaliam que "Isso pode ocorrer pelo fato de que mulheres formuladoras de políticas tendem a favorecer projetos que melhoram pautas como a provisão de bens públicos, saúde, educação e bem-estar infantil". Esse olhar diferenciado das mulheres sobre políticas públicas é facilmente reconhecido nos discursos na Câmara e nas proposições legislativas. Sendo assim, não tenho dúvidas que falar sobre o significado do Dia da Mulher é falar sobre o papel delas no estabelecimento do futuro do país, por meio da elaboração das políticas públicas e da legislação, mas não só isso.

O aumento do número de mulheres na política é resultado do envolvimento delas em vários níveis da sociedade civil organizada. Em pleno século XXI não restam mais dúvidas sobre a necessidade de uma paridade nas posições que demandam tomadas de decisão. Temos visto um movimento crescente nesse sentido no setor privado, que precisa se refletir no setor público. Quando pensamos num país como o Brasil, com tantas coisas boas, mas com tantos desafios sociais, é preciso ponderar sobre o papel de cada um na busca por melhorias. No tocante à responsabilidade das mulheres que se encontram nas casas legislativas espalhadas pelo país, entendo que caiba a elas, trabalhar por políticas públicas e projetos de lei que olhem pelos menos favorecidos e mais vulneráveis. Essa, é a única forma de diminuir a desigualdade e as injustiças.

Que nessa data, tão significativa, possamos olhar com esperança para um futuro com maior paridade entre homens e mulheres, na mesma disposição de construir um país melhor para todos.

* Rose Modesto é deputada federal pelo PSDB de Mato Grosso do Sul e terceira-secretária da Mesa Diretora. Foi vice-governadora do estado.

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