Coligação do PT com PSB pode não valer para Bahia e Pernambuco

Geraldo Seabra*

A decisão do PT de subordinar as alianças regionais à coligação para a candidatura à Presidência da República, segundo resolução do Diretório Nacional, poderá abrigar exceções para os diretórios regionais de Pernambuco e Bahia, estados onde há resistência à coligação com o PSB, partido preferido da direção nacional para uma parceria nas eleições de outubro.

Amaciando os termos da resolução divulgada este mês, a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, emitiu uma nota reafirmando o esforço do partido em fazer alianças nacional e estaduais com a centro-esquerda, especialmente com o PSB, mas com a ressalva de “onde isso for possível, respeitando a realidade política de cada estado”.

Enquanto na Bahia a direção nacional do PT trabalha a aliança com vistas à inclusão da senadora socialista Lídice da Mata, que tentará a reeleição, na chapa do governador Rui Costa; em Pernambuco o partido tenta convencer a vereadora petista Marília Arraes a desistir da sua candidatura ao governo do estado em favor da candidatura do governador Paulo Câmara (PSB).

Em entrevista ao Estadão, Costa disse que a Bahia vai levar em conta a situação local, e não a nacional, negando à senadora Lídice da Mata um lugar na sua chapa. A primeira vaga de senador na chapa de Rui Costa está reservada ao ex-governador Jaques Wagner, seu padrinho político e antecessor no Palácio de Ondina. A outra vai para o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ângelo Coronel (PSD).

Essa vaga seria do senador Walter Pinheiro, mas há dois anos ele se desfiliou do PT, licenciou-se do Senado e assumiu a Secretaria Estadual de Educação. Como não se desincompatibilizou em tempo hábil, está impedido de concorrer à reeleição.

Pinheiro teria se desiludido com a política depois do envolvimento do seu partido em denúncias de corrupção, que levaram à cadeia sua estrela maior, o ex-presidente Lula.

Por isso, não buscou outra legenda nem se preparou para renovar seu mandato no Senado, ao qual chegou após se eleger por quatro vezes consecutivas deputado federal pelo PT baiano.

Em Pernambuco, embora conte com o apoio do senador Humberto Costa, a aliança do PT com o PSB para reeleger o atual governador Paulo Câmara esbarra na resistência do diretório regional que não abre mão da candidatura da vereadora Marília Arraes.

Neta de Miguel Arraes e prima do ex-governador Eduardo Campos, morto na campanha presidencial de 1974, Marília trocou o PSB pelo PT e lidera as intenções de voto para o governo enquanto Câmara amarga um terceiro lugar, atrás da candidatura do senador Armando Monteiro (PTB).

A senadora Gleisi Hoffmann tem trabalhado duramente para a inclusão de Lídice da Mata na chapa majoritária do governador Rui Costa, mas não tem o mesmo empenho em relação a uma mudança de posição do PT de Pernambuco.

Ao defender a senadora baiana, Gleisi pontua sempre que Lídice esteve na linha de frente para salvar do impeachment a ex-presidente Dilma Rousseff. O mesmo ela não pode dizer do PSB de Pernambuco, que despejou os seis votos do partido na urna de Michel Teme, para cassar Dilma, sob a orientação do governador Paulo Câmara.

Mas Lídice da Mata ainda tem uma chance, embora remota, de integrar a chapa do governador Rui Costa para renovar seu mandato no Senado. A possibilidade seria aberta caso o ex-governador Jaques Wagner viesse a ser escolhido para ocupar o lugar de Lula na chapa do PT à Presidência, se persistir o impedimento da candidatura do ex-presidente.

* Geraldo Seabra, jornalista, trabalhou no Correio Braziliense, O Globo, Radio Nacional, O Estado de S. Paulo, Jornal do Brasil, Exame e Veja. Também atuou como assessor de imprensa dos Ministérios da Previdência Social e da Ciência e Tecnologia; da CNI, da OCB e do Ipea.

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