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Os sobreviventes – os homens de um presidente que sobrevive

Neste nosso estranho país acontecem fatos que deixam qualquer estudioso confuso com relação aos poderes e ações dos dirigentes que nos comandam.

Os relatos sobre o governo e seus participantes parecem ficção. Tudo é tão inusitado que, mesmo com o Congresso Nacional em recesso, a impressão que se tem é que o presidente irá renunciar a cada segundo, ou cair a cada minuto.

No entanto, Temer surge nas telas com a disposição de, em gestos teatrais, avançar nas reformas, revolucionando as políticas públicas, e colocar o país na vanguarda daqueles que desejam um futuro melhor para o seu povo.

Tenho assistido à série “Designated Survivor”, da Netflix. O seriado conta a saga de um funcionário público de destaque que, após um atentado que destrói o Capitólio, matando os titulares do Executivo, Legislativo e Judiciário, assume o governo dos Estados Unidos da América sem ser político, e sem  ter intimidade com os dois sobreviventes do Congresso.

Em meio a problemas familiares, o presidente tem que lidar com a imprensa sem nenhuma experiência no trato com questões tão complexas como terrorismo, finanças, segurança nacional e emoções descontroladas da população.

Para enfrentar as muitas frentes, o sobrevivente convoca três auxiliares também sem traquejo na arte da política. O assessor de imprensa é um americano descendente de imigrantes, o chefe de gabinete um ambicioso, e a secretária pessoal uma boa moça. Os quatro se desdobram nas suas funções e conseguem acalmar o país apesar de que, nos bastidores, as investigações sobre o atentado revelam que pode ter sido praticado por americanos simpatizantes de grupos terroristas.

É neste quadro que o “Designated Survivor” pode ser comparado com a situação brasileira. Os governos petistas, sem praticar qualquer ato de terrorismo, levaram o país à bancarrota após as descobertas da corrupção na Petrobras. As malandragens dos poderosos, em conluio com o condenado em primeira instância e ex-presidente Lula, arrasaram a nossa economia com políticas erradas e condutas ilícitas. Nossos políticos que não morreram fisicamente perambulam pelos corredores, cobertos de tapetes coloridos, como se fossem fantasmas. Se os salões fossem em preto e branco, o ambiente seria apropriado para imagens aterrorizantes. Fica a sugestão para a mídia: enquanto não chegarmos ao fim da Lava Jato, transmita as questões políticas e econômicas com imagens sem cores.

No seriado americano, o presidente busca aliados para fazerem parte do governo e, aos poucos, vai conseguindo vitórias importantes, como a eleição de novos parlamentares indicados por governadores dos estados, juízes para a Suprema Corte e o auxílio de um prestigiado ex-presidente como secretário de Estado.

No nosso seriado, o presidente Temer, com a sua longa experiência política, ao assumir o governo destroçado, não conseguiu o apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. FHC, sem dúvida, seria um personagem importantíssimo neste momento crucial, mas preferiu recomendar a renúncia de Temer, aumentando a crise e prejudicando o relacionamento do PSDB com o governo. Por outro lado, o ex-presidente José Sarney – que viveu tremendo desgaste no seu governo, e sabe, como ninguém, lidar com as entranhas da política nacional ­– deu a Temer o melhor conselho posto em prática com a decisão presidencial, o de não renunciar e tocar o país até as eleições de 2018.

Além de Sarney, o presidente nomeou os seus três auxiliares de confiança e garantiu que aquele que for denunciado pela Procuradoria-Geral da República será afastado. Um deles, experiente e ousado, Geddel, teve que sair após um embate com o ministro da Cultura. Os outros dois sobrevivem com Temer. Deve ter sido após esta declaração de Temer que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, numa ação nitidamente política, denunciou o presidente acreditando que ele se afastaria do governo.

Não sei como será o final do seriado “Designated Survivor”. Acredito, esperançoso, que o nosso seriado terá um bom final não elegendo um governante estúpido, populista, desagregador e que consiga governar com 5% de aprovação sem nos levar à guerra civil, como ocorre na Venezuela.

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