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Os animais, portadores de direitos – a vida antes do homem

 

Há um dado científico que favorece essa posição. Ao descodificar-se o código genético por Drick e Dawson, nos anos 50 do século passado, verificou-se que todos os seres vivos, da ameba mais originária, passando pelas grandes florestas e pelos dinossauros e chegando até nós, humanos, possuímos o mesmo código genético de base: os 20 aminoácidos e as quatro bases fosfatadas. Isso levou a Carta da Terra, um dos principais documentos da Unesco sobre a ecologia moderna, a afirmar que “temos um espírito de parentesco com toda a vida” (Preâmbulo).

O Papa Francisco é mais enfático: “Caminhamos juntos como irmãos e irmãs e um laço nos une, com terna afeição, ao irmão sol, à irmã lua, ao irmão rio e à Mãe Terra” (n.92). Nessa perspectiva, todos os seres, na medida em que são nossos primos (as) e irmãos (ãs) e possuem seu nível de sensibilidade e inteligência, são portadores de dignidade e de direitos. Se a Mãe Terra goza de direitos, como afirmou a ONU, eles, como partes vivas da Terra, participam desses direitos.

O segundo paradigma – o ser humano senhor da natureza – tem uma relação de uso com os demais seres e os animais. Se conhecemos os procedimentos da matança de bovinos e de aves ficamos estarrecidos pelos sofrimentos a que são submetidos. Adverte-nos a Carta da Terra: “Há que se proteger animais selvagens de métodos de caça, armadilhas e pesca que causem sofrimento extremo, prolongado e evitável” (n.15b). Ai nos recordamos das palavras sábias do Cacique Seatle (1854): “Que é o homem sem os animais? Se todos os animais se acabassem, o homem morreria de solidão de espírito. Porque tudo o que acontecer aos animais, logo acontecerá também ao homem. Tudo está relacionado entre si”.

Se não nos convertermos ao primeiro paradigma, continuaremos com a barbárie contra nossos irmãos e irmãs da comunidade de vida: os animais. Na medida em que cresce a consciência ecológica mais e mais sentimos que somos parentes e, assim, nos devemos tratar – como São Francisco, com o irmão lobo de Gubbio e com os mais simples seres da natureza.

 

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